“Portugal irá prosseguir na via da inovação tecnológica”, Lucia Salmaso, BKT Europe

“Portugal irá prosseguir na via da inovação tecnológica”, Lucia Salmaso, BKT Europe

2019 representou um marco importante para a BKT na Europa, pois foi o ano da inauguração da sua sede europeia e das novas instalações da S. José Logística de Pneus em Portugal, que contou com a presença do seu presidente, Arvind Poddar.

O que revela, claramente, a relação estreita de parceria com o distribuidor português, ao qual a marca está ligada por um acordo histórico. E, isto, também demonstra a importância do mercado português e de toda a Península Ibérica. Lucia Salmaso, CEO da BKT Europe, explica porquê.

Que balanço faz do desempenho da BKT em Portugal durante o ano de 2019?

No que nos diz respeito às quotas relativas aos setores em que atuamos por toda a Europa, em 2019 revelaram-se estáveis. Nos últimos dois anos, não se registaram diferenças evidentes, incluindo Portugal. Isto é o que revelam os nossos dados e as nossas análises. Não posso partilhar, contudo, nenhum número para o ano financeiro da BKT, que vai desde o início de março até ao fim de fevereiro e, por este motivo, “o nosso 2019 ainda não está concluído”.

Para além dos números, 2019 significou, para nós, o atingir de um novo e importante passo. Em abril, inaugurámos a nossa sede europeia. E realizar uma nova estrutura para nós não foi apenas um projeto arquitetónico, mas, antes, estratégico. Queremos incrementar, cada vez mais, a nossa presença e a nossa quota de mercado na Europa. E, sobretudo, estarmos mais próximos dos nossos clientes OEM europeus.

O nosso objetivo é reforçar, continuamente, a presença da marca BKT junto do primeiro equipamento e sabemos que conseguiremos fazê-lo. As nossas referências no âmbito das peças sobressalentes já nos abriram muitíssimas portas e continuamos a encontrar sempre novas oportunidades. A nossa nova sede é um instrumento chave neste sentido. E, isto, também se aplica a Portugal. Neste sentido, estamos felizes que 2019 tenha assistido, também, à abertura do novo “quartel-general” da S. José Logística de Pneus, em Cantanhede.

O novo armazém permite incrementar a capacidade de gestão e de armazenagem, para além de nos posicionar numa área estratégica a nível logístico. Tudo isto leva a um assinalável aumento da eficiência, bem como a uma significativa redução dos tempos de entrega dos pneus, com o consequente aumento da capacidade competitiva. Não só em Portugal, mas, também, em Espanha, ambos mercados considerados estratégicos para nós.

O novo armazém da S. José Logística de Pneus está distribuído numa área de 20.000 m2, que se junta ao da sede central, num total de 26.000 m2 de superfície coberta. Está apetrechado com um novo software logístico e novos equipamentos para a movimentação e o controlo dos pneus.

A BKT está presente em território português desde 2006, precisamente graças à parceria com a S. José Logística de Pneus. Uma aliança que contribuiu para nos posicionarmos entre os principais fornecedores nacionais de pneus destinados aos setores agrícola e industrial. E, de facto, a BKT é, hoje, líder do setor Off-Highway em Portugal.

Estivemos presentes no evento que também assinalou o 53.° aniversário da fundação da empresa e Arvind Poddar falou na inauguração. Isto revela, claramente, a relação estreita de parceria que temos com o nosso distribuidor, ao qual nos encontramos ligados por um acordo histórico. E, isto, também demonstra a importância para nós do mercado português e de toda a Península Ibérica.

Quais são os objetivos da BKT para Portugal em 2020, no que diz respeito a novos projetos, vendas e investimentos?

Para nós, BKT, cada realidade conta imensamente. Por isso, temos os nossos parceiros/distribuidores especializados in loco. Contudo, sendo uma empresa presente em 160 países, devemos, simultaneamente, ter um foco global. A nossa estratégia e os nossos objetivos para Portugal refletem, portanto, o percurso que estamos a seguir em todo o mundo.

De momento, estamos presentes em força no mercado das peças sobressalentes, mas, também, no do primeiro equipamento. E, exatamente neste último, apostamos num crescimento contínuo da nossa presença, ano após ano, ativando novos fornecimentos.

Paralelamente, a BKT não para de se empenhar, também, no mercado dos pneus sobressalentes, que continua a ser fundamental porque nos permite ampliar a nossa carteira de referência. Também para as peças sobressalentes a nossa quota de mercado está a aumentar constantemente, obrigando os construtores de máquinas a apetrechar os seus veículos com os nossos pneus.

O objetivo global está bem definido: apostamos em 10% do mercado global de pneus Off-Highway até 2025. Em Portugal, apontamos, especificamente, para reforçar ainda mais a nossa posição de liderança.

Quais as gamas de maior sucesso?

As gamas mais famosas e reconhecidas da BKT são AGRIMAX, para o setor agrícola, e EARTHMAX, para o segmento OTR. Sendo, para nós, produtos históricos, conquistaram no tempo a confiança dos utilizadores. E as linhas continuaram a ampliar-se, tanto em termos de modelos como de medidas, até poder contar, hoje, com uma carteira de produtos extremamente rica que responde às mais variadas exigências de aplicação.

Lançámos a gama AGRIMAX, em 2004, para oferecer pneus radiais destinados às mais específicas aplicações dos tratores. A gama conta, agora, pelo menos com 13 modelos diferentes, dos quais o mais recente é o AGRIMAX V-FLECTO, uma mistura vencedora de tecnologia que melhora as prestações dos tratores de nova geração graças a uma reduzida compactação do solo e a uma maior capacidade de carga.

O AGRIMAX FORCE é, talvez, o nosso produto mais conhecido, pensado, especificamente, para tratores de elevada potência (mais de 250 cv). Graças à tecnologia “IF”, dispõe de maior capacidade de carga a pressões de enchimento inferior relativamente aos padrões de igual medida.

A gama EARTHMAX nasceu, por sua vez, em 2008 e inclui pneus radiais estudados, especificamente, para favorecer melhor distribuição das cargas em terra por parte de dumpers e retroescavadoras, que atuam em terrenos mais difíceis, como os que se encontram nos grandes estaleiros, nas pedreiras e nas minas. Esta gama conta com, pelo menos, 28 modelos diferentes.

Vamos assistir ao lançamento de novos produtos em 2020? Em que segmentos?

São muitos os projetos em que estamos a trabalhar. Atualmente, estamos a incrementar, cada vez mais, a nossa presença no setor dos pneus Giant e, por este motivo, lançámos, na feira Bauma, a nova versão de 51” de EARTHMAX SR 46, destinada aos dumpers rígidos que atuam nas condições hostis dos ambientes rochosos, como as minas, as barragens e as grandes obras de construção civil. É a medida maior que até agora produzimos: 33.00 R 51.

Está previsto o lançamento da versão de 57’’ de EARTHMAX SR 46, também graças a consistentes investimentos em nova maquinaria. Estamos a trabalhar para desenvolver um composto de borracha que seja perfeito para estas grandes dimensões. Depois, irá seguir-se, em breve, um modelo de 63”.

Em 2020, teremos, pelo menos, duas feiras dedicadas à mecanização agrícola, ambas muito importantes. Com certeza que não iremos apresentar-nos de “mãos vazias”, mas não quero revelar nada neste momento.

Quais os segmentos de pneus que, no seu entender, vão ter mais futuro?

Há alguns segmentos em que atuamos que parecem mais dinâmicos do que outros. Importa afirmar que o mercado dos pneus depende de um número muito amplo de fatores. Os setores em que estamos presentes são muitos (agricultura, industrial, movimentação de terras, portuários, minas, jardinagem, ATV) e extremamente diferentes entre si, seja de que perspetiva for, sobretudo pelas dimensões. Tomemos como exemplo o setor agrícola, que é enorme e capilar, enquanto no âmbito da movimentação de terras é, ao contrário, muito especializado.

O próprio canal de vendas é muito diferente, bem como os produtos, as necessidades dos utilizadores, os pedidos. Diferente é, também, a procura a que estão ligados os dois setores: o alimentar e o construtivo. Enquanto o primeiro não deixa de ser condutor a nível mundial (dificilmente deixará de o ser ou verá diminuir a sua importância), o segundo depende, em grande parte, da saturação do mercado e das ideologias políticas.

Na BKT, estamos convencidos de que a revolução a que assistimos no mundo dos pneus é transversal aos setores e às aplicações. Falamos das tendências tecnológicas que estão a orientar o mercado, como os veículos autónomos conduzidos por sensores, como o desafio da produtividade sustentável, da otimização do sistema máquina/pneu.

Estamos, também, concentrados no desenvolvimento de novos métodos de composição, para substituir, gradualmente, a utilização da borracha natural por dentes de leão TKS, experimentando a possibilidade de introduzir fibras vegetais entre as matérias que o compõem.

Qual a sua visão de futuro a médio e longo prazos em relação ao comércio de pneus em Portugal?

O futuro vai ser o resultado da evolução de vários aspetos, entre os quais o serviço. Por esta razão, temos a certeza de que a nova estrutura da S. José Logística de Pneus irá responder não só às exigências atuais de pontualidade e eficiência, mas, também, à proximidade com os clientes.

Este fator é muito importante, porque o produto (pneu) se torna cada vez mais complexo e o papel do perito (consultor) é absolutamente fundamental, não só na escolha do pneu, mas, também, na sua manutenção. Portugal irá prosseguir na via da inovação tecnológica, tanto no âmbito agrícola como no OTR, tal como acontecerá em todo o mundo.

Máquinas e equipamentos não terão apenas de apostar para melhorar a prestação. Terão de ter em conta a mudança climática e ambiental que teremos de enfrentar, com visões empresariais de sustentabilidade.

Nada irá parar, “simplesmente”. Mudará tudo e as empresas que atuam nestes dois mercados têm, necessariamente, de procurar prever mudanças e fornecer respostas que não só se adaptarão ao futuro, mas que irão traçar as novas dinâmicas.

A procura será cada vez mais específica, bem como a resposta dos produtores de pneus. E será interessante ver como o “desafio” irá prosseguir. É um momento importante para o mercado. E, isto, é positivo, porque estimula a pesquisa, a evolução e a criação de novas soluções.

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João Vieira

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