“A especialização tem os dias contados”, André Bettencourt, Bridgestone

“A especialização tem os dias contados”, André Bettencourt, Bridgestone

No patamar em que a Bridgestone se encontra em Portugal, sendo um dos principais players, o grande desafio será sempre acompanhar a tendência do mercado reforçando essa posição. A aposta em soluções de mobilidade e a digitalização dos processos, são áreas chave na estratégia que a marca traçou para o futuro.

André Bettencourt, diretor de marketing da Bridgestone Europe – Sucursal em Portugal, faz um balanço do desempenho da marca em 2019 e revela os objetivos para este ano.

Que balanço faz do desempenho da Bridgestone em Portugal no ano de 2019?

2019 foi um ano muito positivo. Tínhamos o objetivo de começar a afirmar a Bridgestone como uma marca pioneira em soluções de mobilidade, mais do que um fornecedor de pneus, e acreditamos que esse primeiro passo foi dado com sucesso. A aquisição da TomTom Telematics (agora Webfleet Solutions), que utiliza dados e análises para mover milhões de veículos da forma mais eficiente possível, foi um passo importante neste caminho.

O facto de termos continuado a merecer a confiança das maiores marcas de automóveis em 2019, com mais de 100 novos equipamentos de origem, é, também, um motivo de orgulho para nós. A nível de produto, podemos dizer que foi um ano de afirmação dos pneus All Season, que respondem às necessidades dos condutores e que estão preparados para se adaptar ao longo de todo o ano, em todas as estações. Nos motociclos, destacamos a apresentação do Battlax Hypersport S22, um pneu pioneiro e inovador, no qual não abdicamos de oferecer a melhor solução em todas as áreas.

Por último, 2019 foi, também, o ano em que lançámos a webserie “País a Rolar”, um conjunto de seis episódios que têm alguns dos nossos clientes como protagonistas. O objetivo foi destacar o importante papel que estas empresas têm na economia portuguesa e, também, o momento em que a Bridgestone passou a fazer parte da sua história. Focámo-nos em clientes B2B e o leque de negócios foi muito interessante – agricultura, produção e distribuição de leite, extração e transformação de pedra, manutenção de parques eólicos e transportes especiais.

Em termos de resultados de vendas, 2019 foi um ano muito positivo, em especial na gama de produtos de consumo (pneus ligeiros, comerciais, 4×4/SUV e moto) onde conseguimos ultrapassar os nossos objetivos internos e ganhar quota de mercado. Uma nota especial para a gama de pneus All Season, que, apesar de à partida, poucos acreditarem na sua venda no mercado português, os resultados foram muito surpreendentes. Também aqui, a nossa aposta na mobilidade e no reforço da segurança da sociedade foram objetivos alcançados.

No cômputo geral, para além dos resultados de vendas, 2019 marcou o lançamento de produtos novos em todas as frentes, o que, por si só, foi um sinal da vitalidade da Bridgestone.

E quais os objetivos da Bridgestone para Portugal em 2020 relativamente a novos projetos, vendas e investimentos?

Para 2020, vamos continuar o nosso foco nas soluções de mobilidade. Queremos apostar no desenvolvimento e na aplicação do Web Fleet Solutions, uma solução inovadora para frotas. Outra das apostas é o Mobox, desenvolvido para garantir segurança e conforto aos condutores, que oferece aos seus subscritores pneus novos e uma cobertura completa, entre outros serviços premium relacionados com o automóvel, a uma mensalidade mais acessível. 

Mas também teremos a oportunidade de lançar um novo serviço de mobilidade para proteger os condutores e os seus veículos contra os mais variados riscos. Um serviço pioneiro que garante conforto e segurança aos consumidores. Será muito interessante ver como vai reagir o mercado.

Para reforçar ainda a nossa parceria global com os Jogos Olímpicos, vamos apresentar um projeto muito desafiador mas que temos a certeza de que vai “falar” a todas as pessoas que praticam desporto, seja de forma profissional ou amadora. Um projeto que servirá para reforçar o lado educativo do desporto olímpico em Portugal.

Ainda no fortalecimento da ligação aos consumidores portugueses, iremos contar com mais um ano da Rota Firestone e podemos garantir que ninguém irá querer perder esta nova edição em Portugal. Em termos de vendas, esperamos mais um ano de grandes desafios. Em 2019, voltámos a assistir ao crescimento dos produtos de jantes de maiores dimensões, como é o caso dos segmentos de pneus ligeiros, 4×4/SUV e ainda dos agrícolas.

Em 2020, continuaremos a apostar nesses segmentos, sendo que, em pneus de camião, a aposta vai para a nova gama Duravis, que tornará o portefólio de produtos da Bridgestone ainda mais completo. No patamar em que a Bridgestone se encontra em Portugal, sendo um dos principais players, o grande desafio será sempre acompanhar a tendência do mercado, reforçando essa posição. Temos gamas de produtos que falam por si e uma rede de agentes extraordinária, que ajudarão, seguramente, a alcançar os nossos desafios. Em 2020, vai escrever-se muito sobre a Bridgestone.

Qual o pneu que mais destaca dentro da gama da Bridgestone?

É sempre muito difícil eleger um dos nossos produtos, pois são várias as gamas e vários os pneus que se destacam. No entanto, pela importância que os pneus ligeiros têm no desempenho da empresa, as nossas soluções para qualquer estrada ou condições climatéricas vão ser novamente comunicadas, sendo que o Weather Control A005 é aquele que queremos continuar a apostar com maior dinamismo em 2020.

Falamos de um produto que consegue agregar numa só solução a eficácia na estrada durante todo o ano em qualquer condição climatérica, desde estradas com neve suave e com muita chuva até estradas secas nos meses de verão. Quando falamos em mobilidade, deve-se, também, compreender que é muito importante ter tração em quaisquer condições da estrada. Com o A005, estamos a garantir ao consumidor a possibilidade de ir do ponto “A” ao ponto “B” sem ter de parar porque a estrada está muito molhada ou até mesmo com alguma neve.

O A005 mantém o nível de desempenho a baixas temperaturas, sem os problemas mais típicos dos pneus de inverno e que obrigam à substituição no final da estação por pneus de verão. Apresenta a mesma durabilidade de um pneu Bridgestone de verão e tem a classificação “A” segundo os parâmetros europeus no que diz respeito à aderência em piso molhado.

Na versão Driveguard Run Flat, o Weather Control A005 e o Turanza T005 são os de maior destaque neste momento e, também, os que queremos investir mais na comunicação, para que todos os portugueses saibam as soluções que têm disponíveis. É, acima de tudo, um produto que proporciona mais segurança.

Apesar de ser um produto que pode ser utilizado em qualquer parte do país, no norte e centro tem ainda maior relevância. Lembremo-nos das dificuldades que passam os portugueses de Trás-os-Montes ou da Beira Alta na altura do inverno. O A005 é, sobretudo, um produto que veio para lhes proporcionar mobilidade e segurança. Com o A005, ninguém tem de ficar em casa num dia de condições metrológicas adversas e ninguém tem de mudar de pneus quando o verão chega. Este é o pneu “dois em um” para condutores mais satisfeitos e seguros.

Vamos assistir ao lançamento de novos produtos em 2020? Em que segmentos?

Apesar de ser um produto lançado no final de 2019, o novo Duravis para camião é a nossa grande aposta neste segmento em 2020. No segmento de pneus agrícolas, vamos reforçar a gama de medidas do VX-Tractor, que é o nosso produto elite para máquinas cada vez mais potentes para uma agricultura que procura cada vez maior eficácia e produtividade.

Falando de produtos novos, o grande destaque vai ser no segmento de pneus de moto. O lançamento do Battlax BT 46 é um marco significativo na empresa. Vamos substituir, finalmente, o BT45, que, durante muitos anos, foi o pneu preferido de muitos clientes de motos touring com pneus diagonais. Este novo pneu tem melhorias excelentes para qualquer amante de motos: redução no desgaste irregular e melhoria da tração, fatores que farão as delícias dos clientes, em especial os estafetas, que são, de há muitos anos para cá, grandes clientes do BT45 e que o serão agora ainda mais com o BT46.

Mas a nossa grande aposta serão as soluções de mobilidade e a digitalização crescente que temos vindo a abordar. Para nós, é extremamente importante continuar a evoluir na inovação sustentável do nosso setor. Por esse motivo, também iremos focar-nos neste tipo de soluções. Não falta muito tempo para podermos falar melhor destas novidades, que serão muito brevemente uma realidade em Portugal.

Qual o segmento de pneus que considera ter mais futuro?

Precisamente falando na inovação tecnológica, consideramos que a tecnologia Run Flat, da qual somos pioneiros, irá ter um futuro próximo e distante bastante interessante e inovador. É uma solução da qual as pessoas podem depender para não terem de ficar paradas na estrada enquanto esperam por assistência ou tentam trocar um pneu.

Esta tecnologia, que, como referi, está presente nos pneus Weather Control A005 e Turanza T005, é o primeiro passo para aquilo que vemos como o futuro da mobilidade. Outro bom exemplo de inovação da Bridgestone é a tecnologia B-Silent, que reduz, significativamente, o ruído da cabine do veículo em comparação com um pneu comum e sem comprometer o desempenho e a dinâmica do pneu.

Mas acreditamos que a próxima geração de pneus terá como foco as necessidades dos clientes estarem preparados para um cenário de Mobilidade CASE (Conectada, Autónoma, Partilhada e Elétrica) e de responder às macrotendências, como as alterações climáticas e a urbanização. Para a Bridgestone, o pneu com mais futuro terá de ser virtualmente desenvolvido, eficiente do ponto de vista energético e mais leve.

Que ações devem ser tomadas junto dos automobilistas para maior sensibilização relativamente à importância que o pneu tem para a segurança?

Enquanto empresa que atua nesta área temos, naturalmente, um papel importante na sensibilização para os comportamentos preventivos que é importante os consumidores seguirem na aquisição e manutenção dos pneus. Procuramos fazê-lo através da nossa comunicação, como, por exemplo, nos nossos canais digitais.

Queremos sempre que as pessoas consigam antecipar os riscos de não avaliar o estado dos pneus. Mas com tantas viagens que se fazem hoje nas condições de estrada mais variadas, o melhor é prevenir e cuidar daqueles que são os elementos que ligam um veículo ao piso.

Ao longo dos anos, temos levado a cabo ações de sensibilização. Em 2019, tivemos uma ação muito interessante junto de agricultores. Para quem o pneu está ligado a mobilidade (um agricultor não gosta nada de ver um pneu furado nas suas máquinas porque isso implica prejuízo), mostrámos-lhes que, com pneus Run Flat nos seus veículos, podem continuar a conduzir mesmo com um pneu furado.

Em 2020, tencionamos continuar a apostar nestas ações junto do consumidor. Mais do que a atividade comercial, temos um dever para com as pessoas, informando e disponibilizando meios para que elas saibam a importância que os pneus têm na sua vida.

Ao mesmo tempo, como empresa fundadora da CEPP (Comissão Especializada de Produtores de Pneus) da ACAP, a Bridgestone continuará a dar o seu contributo para que o consumidor português tenho em seu poder mais informação sobre o pneu e cuidados a ter na sua correta manutenção.

Que análise faz do mercado de pneus em Portugal?

O mercado de pneus em Portugal é altamente competitivo, com muitos bons exemplos em termos de qualidade de instalações, equipamentos e serviços. No entanto, fruto de algo a que compete a todos os operadores mudar (incluindo a nós, marcas), o preço de venda ao consumidor parece continuar a ser o fator mais importante. E, isso, por vezes, origina a oferta de serviços que, no nosso entender, também pode significar menos qualidade.

Falta fazer mais em Portugal para que o consumidor seja mais consciente e exigente com aquilo que lhe é efetuado num produto tão importante como o pneu. Com aquilo que ele representa, mas, também, com o que mecanicamente é feito por baixo do seu automóvel. Ao mesmo tempo, a venda de pneus usados é ainda uma tendência um pouco por todo o país, o que, por si só, mostra a importância que o consumidor dá ao estado dos pneus.

Falta educação nas escolas de condução para o tema pneu e falta ao consumidor não ser apenas exigente com o preço a que compra, mas, também, exigente com a qualidade que leva, quer seja no produto como no serviço. Algo tem sido feito, mas os retalhistas que estão no mercado e cumprem todas as regras fiscais e laborais não podem ser misturados e equiparados com aqueles que não o fazem. Falta mais fiscalização para que as regras sejam iguais para todos e, assim, os prevaricadores não sintam vantagens. Compete-nos a todos elevar a qualidade do setor. E, isso, não passa apenas pelos produtos, pelas instalações e pelos equipamentos.

Há ainda que melhorar no conhecimento que se tem do produto, das suas caraterísticas, nos seus argumentos e aplicação. Os pneus são todos redondos com um buraco no meio, mas nem todos funcionam da mesma forma e nem todos são para serem aplicados no mesmo tipo de automóvel. E é aí que vemos muitos erros a acontecerem.

Pneus desportivos montados em automóveis de turismo cujo condutor tem uma condução calma e procura conforto, não deveria acontecer apenas porque o preço desses pneus era mais competitivo. São situações destas que recebemos muitas vezes como reclamações e queixas. Clientes que se sentiram enganados e que, por isso, ficam de pé atrás em relação aos retalhistas de pneus, quando, na realidade, deveriam sentir-se confiantes por entregarem a sua segurança a quem entende de pneus.

Mas, no geral, é um mercado com operadores dinâmicos, quer seja no retalho como na distribuição. E que muitos têm sabido apostar em novas tendências, juntando ao seu portfólio de pneus outros serviços, como as peças e a mecânica. O mesmo acontece com quem até aqui só fazia mecânica e que, mais a mais, também vende pneus, porque o mercado está polarizado apesar de ser ainda fortemente dominado pelo retalho tradicional.

Como sugestão, deixo aos operadores olharem para o seu negócio mais de uma perspetiva de fora para dentro e não tanto de dentro para fora. Verem o seu negócio do ponto de vista do consumidor final e aquilo que o mesmo procura quando solicita a manutenção automóvel.

Neste campo, a mobilidade terá um papel muito relevante, quer seja com os pneus, quer seja com a manutenção e carregamentos. Muito importante é não esquecer que o futuro poderá passar por veículos partilhados e menos nas mãos de particulares. E, isso, poderá trazer novos desafios aos operadores e, consequentemente, à forma como os pneus vão ser vendidos. Por isso, aquilo que vamos implementar em Portugal em 2020 é já um passo rumo a esse caminho.

Em termos gerais, quais são os fatores que mais estão a condicionar (positiva e negativamente) o comércio de pneus em Portugal?

Comecemos pelos condicionalismos negativos. A situação financeira dos portugueses continua a ser um dos pontos relevantes. Menos dinheiro implica carros mais antigos e, automaticamente, pior manutenção. Mas a este ponto, adicionamos uma questão de educação e mentalidade. Falta educar os futuros condutores para este ponto, que é dar importância ao pneu porque é ele que coloca o automóvel em contacto com a estrada.

Estes dois pontos, não sendo os únicos, levam a que o consumidor vá sempre atrás do preço como referência e, isso, cria no lado de quem vende uma pressão por oferecer produtos e serviços a um nível que, mais cedo ou mais tarde, vão condicionar a sua margem, logo a sua existência. A estes pontos, junto a dificuldade crescente de os operadores do mercado arranjarem funcionários para este tipo de serviço. Um mal, infelizmente, que não afeta este setor e que é transversal a todo o país.

Por outro lado, o facto de ter havido crescimento das vendas de veículos (leiam-se automóveis, camiões, motos e máquinas agrícolas) ajuda a que o mercado cresça. E, isso, é sempre um sinal positivo. Mas aquilo que vejo de mais positivo é a mudança de mentalidade dos retalhistas de pneus para o crescimento da oferta de serviços aos seus clientes.

Os retalhistas tradicionais de pneus deixaram de pensar só no pneu e começaram a adicionar ao seu portefólio a mecânica, que lhes permite ter mais serviços, logo mais clientes. E, isto, acontece também inversamente com as concessões de automóveis e outros conceitos de manutenção automóvel no mercado. Parece-me que a especialização tem os seus dias contados neste setor e, felizmente, há quem esteja a conseguir acompanhar os sinais dos tempos.

Qual a sua visão de futuro a médio e longo prazos do comércio dos pneus em Portugal?

O mercado dos pneus tem, necessariamente, de evoluir para responder às tendências de consumo dos clientes, que têm vindo a mudar muito nos últimos anos e, também, à forma como estes se relacionam com o próprio automóvel. É por isso que temos vindo a fazer este caminho de oferecer soluções de mobilidade mais amplas, seja através de pneus, serviços relacionados com o veículo ou com as frotas.

Claro que a mobilidade terá várias formas de perceção no país. Não vamos esperar que quem viva nas grandes cidades tenha as mesmas necessidades que quem vive em espaços mais pequenos, mas esperamos que a forma como o futuro consumidor veja o automóvel será de uma forma distinta de hoje. E é aí que a Bridgestone também está apostada em traçar o caminho e liderar nas soluções de mobilidade.

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João Vieira

Do mesmo Autor: João Vieira

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