“Somos uma empresa com elevado sentido de rapidez na mudança de estratégia”, Armando Lima Santos,Tiresur

“Somos uma empresa com elevado sentido de rapidez na mudança de estratégia”, Armando Lima Santos,Tiresur

No plano interno, como a maioria das empresas e da sociedade, a Tiresur tomou várias decisões no sentido de minimizar a possibilidade de contágio e teve de adaptar o espaço físico do seu escritório para permitir trabalhar com as devidas normas de distanciamento social e de proteção e segurança entre os colaboradores.

Todas as posições cujas tarefas podiam ser realizadas em home-office, passaram a ser realizadas em Teletrabalho. Também passou a trabalhar com máscaras, viseiras, barreiras de acrílico entre postos de trabalho e na receção, assim como passámos a dispor de vários dispensadores de álcool gel em pontos estratégicos da empresa, por forma a permitir que frequentemente os colaboradores  procedam à higienização das mãos.

Em termos de negócio, em março o impacto sentiu-se mais na 2ª quinzena, logo após o decretar do Estado de Emergência, tendo depois o mês de abril sido realmente difícil. Ainda assim, com números interessantes tendo em conta o panorama geral verificado no setor automóvel, que como se sabe foi seriamente afetado. Em maio e junho as vendas começaram a ser mais positivas.

Durante o Estado de Emergência, não recorreu ao Lay-off e aproveitou o menor movimento nas vendas, para organizar a logística, assim como para descarregar o máximo de mercadoria possível, evitando assim custos e gastos associados a paralisações e demoras. Outra área em que foi fundamental não “parar”, foi o acompanhamento das cobranças e o acompanhamento comercial, ainda que feito à distância. Foi algo fundamental para ter bons resultados e poucas surpresas no capítulo dos recebimentos.

O que mudou na atividade da Tiresur Portugal?
Desde o primeiro momento, tivemos como preocupação apoiar os nossos clientes, em especial os nossos associados Center’s Auto. Em conjunto com o nosso parceiro Dário Afonso (da ACM Coach Management) criámos um Programa Especial de Formação, uma espécie de plano de atuação perante a crise pandémica, a que chamámos “Seremos Ainda Mais Fortes”, e que serviu de guia aos nossos associados, para que através de algumas dicas e conselhos, lhes permitisse afrontar este problema com menos incertezas…apesar do caos que esta situação trouxe ao mercado. No fundo, apostámos na formação, para apoiar os nossos principais parceiros a prepararem-se para este tsunami que chegou sem aviso prévio.

Por outro lado, neste momento temos muito stock, muito completo e muito variado, o que creio venha a ser uma grande oportunidade a curto/médio prazo. Acredito que com a retoma da atividade, irá verificar-se uma certa falta de produto no mercado, fruto das paragens verificadas especialmente nos fabricantes de pneus Premium. Por outro lado, esta fase de crise, tem permitido focar-nos nas áreas de pneus técnicos que já vínhamos a desenvolver, tais como pneus de engenharia/OTR, pneus de Camião e pneus Agrícolas. Se já estávamos a dar muita atenção a estes segmentos de produto, agora mais do que nunca assumiram um papel fundamental no nosso Share of Business/Mix de Vendas. Isto ajudou a contribuir para que os nossos resultados não tenham sido tão maus quanto no início pudéssemos pensar. Hoje, o mindset de toda a equipa e de toda a empresa, está efetivamente muito voltado para estas áreas. Por isso, verdadeiramente neste momento estamos a colocar verdadeiramente em prática a nossa estratégia e visão de atendimento 360º ao mercado.

Outro ponto fundamental, é que esta crise nos obrigou literalmente a repensar e analisar detalhadamente cada € a investir, quer seja em marketing, quer seja em qualquer outro gasto operacional. Atualmente, somos sem dúvida nenhuma, mais eficientes e criteriosos na hora de gastar ou investir.

Por fim, e quiçá um dos aspetos mais importantes de estar a passar por esta fase, é que temos analisado em detalhe a rentabilidade de cada marca, cada segmento de produto, assim como de cada referencia, de forma a termos cada vez mais claro, o tipo de produtos em que queremos apostar e que mais queremos vender.

Como está a necessidade de isolamento social a impactar na atividade da Tiresur Portugal?
Neste momento, há duas questões em que particularmente o isolamento social está a interferir na nossa atividade:

1 – Há menos veículos a circular o que origina um abrandamento no consumo de pneus;

2 – A nossa abordagem comercial, que passava muito pelo acompanhamento presencial e personalizado aos nossos clientes, agora é claramente algo que não existe, estando a empresa a apostar em estratégias de comunicação mais digitais e acompanhamento telefónico realizado por parte dos nossos comerciais, de modo a não perder o contacto com os nossos clientes.

É uma nova realidade à qual nos estamos a acostumar, mas felizmente somos uma empresa com elevada capacidade de adaptação e com elevado sentido de rapidez na mudança de estratégia (caso seja necessário mudar de rumo).

Que meios utilizam para manter o contacto com os clientes?
A nossa plataforma B2B ganhou ainda mais importância, sendo que o negócio via esta plataforma aumentou significativamente nas últimas semanas.

Entretanto os contactos telefónicos e mensagens via WhatsApp entre a nossa equipa comercial e os nossos clientes, aumentaram significativamente como seria de esperar.

Por outro lado, os comunicados e campanhas, via mailing direto, passaram também a ser mais importantes que nunca.

Em alguns casos, temos utilizado plataformas de vídeo conferencia como o Skype ou o Teams, por exemplo.

Como estão a apoiar os vossos clientes neste momento difícil que o mercado está a viver?
Além da Formação especifica que criámos especialmente para os nossos parceiros Center’s Auto (Programa “Seremos Ainda Mais Fortes”) e que tive oportunidade de anunciar mais acima, temos tentado acompanhar o máximo de clientes possível de forma a que não se sintam sós neste momento, que é particularmente difícil para todos.

Como também seria de esperar, temos sido mais sensíveis às dificuldades financeiras dos nossos clientes. Nesse sentido, temos tentado de uma forma muito particular, analisado caso a caso e em conjunto com os clientes que necessitam, temos verificado o que é possível fazer em termos de adiamento e fracionamento dos pagamentos.

É possível contabilizar já os prejuízos causados pela Covid-19?
Sim. Temos diariamente monitorizado o impacto desta crise naquilo que são as nossas vendas, quer seja em termos de faturação, como volumes de pneus vendidos e margens brutas. Dispomos de excelentes ferramentas de análise que nos permitem a qualquer momento e literalmente no imediato, fazer uma comparação muito completa com o momento atual e o mesmo período do ano passado, ou por exemplo com os meses imediatamente anteriores à crise.

Em março, fruto de uma excelente 1ª quinzena, terminámos o mês com uma quebra de cerca de 25% face ao ano anterior. Em abril, apesar de tudo a nossa faturação “só” caiu 40% e em maio e junho atingimos um resultado em torno a 80%/85% da faturação e margem bruta do ano passado.

Para quando antevê a retoma do setor? E de que forma?
Muito sinceramente creio que já se nota uma ligeira melhoria e retoma no setor. Nas nossas vendas de maio já estamos a verificar essa retoma. No entanto, temos consciência que esta recuperação tem sido possível mais por via de um aumento das vendas de produtos técnicos. O que no nosso caso nos tem claramente beneficiado.

No entanto, não nos podemos iludir que o pior já tenha passado, porque temos plena consciência que não. Os verdadeiros problemas financeiros e económicos vão se fazer sentir nas próximas semanas e meses. Infelizmente o desemprego vai aumentar significativamente e os meses de Verão que por norma são muito fortes em termos de turismo no nosso país e também na nossa atividade, vão ser bastante mais fracos do que em anos anteriores.

Sinceramente acredito numa retoma económica lenta e muito mais em forma de “U” do que em “V”. Ou seja, não tão rápida quanto a quebra registada no geral em toda a economia. Quiçá lá para o final do ano ou início de 2021, venhamos a ver uma economia mais “normalizada”. Até lá, muitas empresas irão experienciar muitas dificuldades e por isso é necessário estar muito atento e bem preparado para eventuais necessidades de adaptação e resposta rápida.

Da nossa parte, tentaremos aproveitar todas as oportunidades, que apesar de poucas, sempre aparecem em todas as crises.

Na sua opinião, o que vai acontecer ao setor dos pneus em Portugal pós Covid-19?
Acredito mesmo que desta vez, só realmente as empresas melhor preparadas, irão subsistir. O mercado no geral vai ter a clara noção de quem são os operadores fiáveis e com qualidade para ajudar as oficinas. Vários operadores não vão ter capacidade de resposta e alguns até já nem voltem a operar…ou pelo menos terão de trabalhar de uma forma muito diferente para se conseguirem aguentar. Isso vai obrigar as empresas a apostar ainda mais na qualidade dos seus serviços, mas também na qualidade, fiabilidade e continuidade das suas marcas e produtos. Já para não falar nas margens com que se terá que trabalhar. Nos últimos anos e meses assistimos a uma guerra de preços suicida e a uma absurda falta de consciência ou cultura comercial saudável e necessária para permitir a sobrevivência dos negócios e das empresas. Talvez agora quem está deste lado da barreira (falo da distribuição), perceba finalmente que não basta ter um armazém com “meia dúzia” de pneus e fazer preços agressivos. Será preciso muito mais do que isso! E o mercado vai reconhecer isso!

E felizmente a Tiresur está de pedra e cal no mercado. Somos um operador com muita experiência, com presença global (Espanha, Portugal, Brasil, Panamá e exportações para grande parte do continente africano e sul americano) e mais importante do que isso, com muito stock, marcas muito fortes e com produtos de altíssima qualidade e já com muita história no nosso mercado, cuja fiabilidade fala por si. Assim como pelo facto de que dispomos literalmente de todo o tipo de pneus, sendo por isso capazes de suprir as necessidades de todos os clientes do mercado.

Que mensagem deseja transmitir ao setor para o futuro?
A História mundial e da nossa sociedade está repleta de crises que foram acontecendo ao longo do tempo. Esta é mais uma e por isso temos de nos adaptar e tentar fazer os possíveis para a ultrapassar o melhor e o mais rapidamente possível. No fundo é mais uma…e como todas as outras, vai passar. Temos de ser positivos e estudar todas as formas possíveis de melhorar a nossa operação, a nossa oferta e a nossa eficiência. Às vezes as organizações precisam ser testadas, para poderem descobrir se as suas estratégias e os seus projetos são sólidos o suficiente para aguentar as vicissitudes da vida e que o mercado (ou neste caso, a economia), nos colocam.

Como costumamos dizer na Tiresur, o nosso lema é “Sim, Temos o que Procura” e além disso, a nossa filosofia assenta numa abordagem QFC – QUALIDADE, FIABILIDADE e CONTINUIDADE.

Estamos muito esperançosos e com a expetativa de que este ainda pode ser um ano muito positivo para nós. Até porque até ao final do ano, queremos inaugurar o nosso novo armazém e escritórios. Isso vai ser realmente um marco histórico para nós e vai catapultar-nos para um posicionamento ainda mais forte no mercado.

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João Vieira

Do mesmo Autor: João Vieira

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