“Somos uma empresa com elevado sentido de rapidez na mudança de estratégia”, Armando Lima Santos,Tiresur

08 - Armando-Lima-diretor-geral-Tiresur

No plano interno, como a maioria das empresas e da sociedade, a Tiresur tomou várias decisões no sentido de minimizar a possibilidade de contágio e teve de adaptar o espaço físico do seu escritório para permitir trabalhar com as devidas normas de distanciamento social e de proteção e segurança entre os colaboradores.

Todas as posições cujas tarefas podiam ser realizadas em home-office, passaram a ser realizadas em Teletrabalho. Também passou a trabalhar com máscaras, viseiras, barreiras de acrílico entre postos de trabalho e na receção, assim como passámos a dispor de vários dispensadores de álcool gel em pontos estratégicos da empresa, por forma a permitir que frequentemente os colaboradores  procedam à higienização das mãos.

Em termos de negócio, em março o impacto sentiu-se mais na 2ª quinzena, logo após o decretar do Estado de Emergência, tendo depois o mês de abril sido realmente difícil. Ainda assim, com números interessantes tendo em conta o panorama geral verificado no setor automóvel, que como se sabe foi seriamente afetado. Em maio e junho as vendas começaram a ser mais positivas.

Durante o Estado de Emergência, não recorreu ao Lay-off e aproveitou o menor movimento nas vendas, para organizar a logística, assim como para descarregar o máximo de mercadoria possível, evitando assim custos e gastos associados a paralisações e demoras. Outra área em que foi fundamental não “parar”, foi o acompanhamento das cobranças e o acompanhamento comercial, ainda que feito à distância. Foi algo fundamental para ter bons resultados e poucas surpresas no capítulo dos recebimentos.

O que mudou na atividade da Tiresur Portugal?
Desde o primeiro momento, tivemos como preocupação apoiar os nossos clientes, em especial os nossos associados Center’s Auto. Em conjunto com o nosso parceiro Dário Afonso (da ACM Coach Management) criámos um Programa Especial de Formação, uma espécie de plano de atuação perante a crise pandémica, a que chamámos “Seremos Ainda Mais Fortes”, e que serviu de guia aos nossos associados, para que através de algumas dicas e conselhos, lhes permitisse afrontar este problema com menos incertezas…apesar do caos que esta situação trouxe ao mercado. No fundo, apostámos na formação, para apoiar os nossos principais parceiros a prepararem-se para este tsunami que chegou sem aviso prévio.

Por outro lado, neste momento temos muito stock, muito completo e muito variado, o que creio venha a ser uma grande oportunidade a curto/médio prazo. Acredito que com a retoma da atividade, irá verificar-se uma certa falta de produto no mercado, fruto das paragens verificadas especialmente nos fabricantes de pneus Premium. Por outro lado, esta fase de crise, tem permitido focar-nos nas áreas de pneus técnicos que já vínhamos a desenvolver, tais como pneus de engenharia/OTR, pneus de Camião e pneus Agrícolas. Se já estávamos a dar muita atenção a estes segmentos de produto, agora mais do que nunca assumiram um papel fundamental no nosso Share of Business/Mix de Vendas. Isto ajudou a contribuir para que os nossos resultados não tenham sido tão maus quanto no início pudéssemos pensar. Hoje, o mindset de toda a equipa e de toda a empresa, está efetivamente muito voltado para estas áreas. Por isso, verdadeiramente neste momento estamos a colocar verdadeiramente em prática a nossa estratégia e visão de atendimento 360º ao mercado.

Outro ponto fundamental, é que esta crise nos obrigou literalmente a repensar e analisar detalhadamente cada € a investir, quer seja em marketing, quer seja em qualquer outro gasto operacional. Atualmente, somos sem dúvida nenhuma, mais eficientes e criteriosos na hora de gastar ou investir.

Por fim, e quiçá um dos aspetos mais importantes de estar a passar por esta fase, é que temos analisado em detalhe a rentabilidade de cada marca, cada segmento de produto, assim como de cada referencia, de forma a termos cada vez mais claro, o tipo de produtos em que queremos apostar e que mais queremos vender.

Como está a necessidade de isolamento social a impactar na atividade da Tiresur Portugal?
Neste momento, há duas questões em que particularmente o isolamento social está a interferir na nossa atividade:

1 – Há menos veículos a circular o que origina um abrandamento no consumo de pneus;

2 – A nossa abordagem comercial, que passava muito pelo acompanhamento presencial e personalizado aos nossos clientes, agora é claramente algo que não existe, estando a empresa a apostar em estratégias de comunicação mais digitais e acompanhamento telefónico realizado por parte dos nossos comerciais, de modo a não perder o contacto com os nossos clientes.

É uma nova realidade à qual nos estamos a acostumar, mas felizmente somos uma empresa com elevada capacidade de adaptação e com elevado sentido de rapidez na mudança de estratégia (caso seja necessário mudar de rumo).

Que meios utilizam para manter o contacto com os clientes?
A nossa plataforma B2B ganhou ainda mais importância, sendo que o negócio via esta plataforma aumentou significativamente nas últimas semanas.

Entretanto os contactos telefónicos e mensagens via WhatsApp entre a nossa equipa comercial e os nossos clientes, aumentaram significativamente como seria de esperar.

Por outro lado, os comunicados e campanhas, via mailing direto, passaram também a ser mais importantes que nunca.

Em alguns casos, temos utilizado plataformas de vídeo conferencia como o Skype ou o Teams, por exemplo.

Como estão a apoiar os vossos clientes neste momento difícil que o mercado está a viver?
Além da Formação especifica que criámos especialmente para os nossos parceiros Center’s Auto (Programa “Seremos Ainda Mais Fortes”) e que tive oportunidade de anunciar mais acima, temos tentado acompanhar o máximo de clientes possível de forma a que não se sintam sós neste momento, que é particularmente difícil para todos.

Como também seria de esperar, temos sido mais sensíveis às dificuldades financeiras dos nossos clientes. Nesse sentido, temos tentado de uma forma muito particular, analisado caso a caso e em conjunto com os clientes que necessitam, temos verificado o que é possível fazer em termos de adiamento e fracionamento dos pagamentos.

É possível contabilizar já os prejuízos causados pela Covid-19?
Sim. Temos diariamente monitorizado o impacto desta crise naquilo que são as nossas vendas, quer seja em termos de faturação, como volumes de pneus vendidos e margens brutas. Dispomos de excelentes ferramentas de análise que nos permitem a qualquer momento e literalmente no imediato, fazer uma comparação muito completa com o momento atual e o mesmo período do ano passado, ou por exemplo com os meses imediatamente anteriores à crise.

Em março, fruto de uma excelente 1ª quinzena, terminámos o mês com uma quebra de cerca de 25% face ao ano anterior. Em abril, apesar de tudo a nossa faturação “só” caiu 40% e em maio e junho atingimos um resultado em torno a 80%/85% da faturação e margem bruta do ano passado.

Para quando antevê a retoma do setor? E de que forma?
Muito sinceramente creio que já se nota uma ligeira melhoria e retoma no setor. Nas nossas vendas de maio já estamos a verificar essa retoma. No entanto, temos consciência que esta recuperação tem sido possível mais por via de um aumento das vendas de produtos técnicos. O que no nosso caso nos tem claramente beneficiado.

No entanto, não nos podemos iludir que o pior já tenha passado, porque temos plena consciência que não. Os verdadeiros problemas financeiros e económicos vão se fazer sentir nas próximas semanas e meses. Infelizmente o desemprego vai aumentar significativamente e os meses de Verão que por norma são muito fortes em termos de turismo no nosso país e também na nossa atividade, vão ser bastante mais fracos do que em anos anteriores.

Sinceramente acredito numa retoma económica lenta e muito mais em forma de “U” do que em “V”. Ou seja, não tão rápida quanto a quebra registada no geral em toda a economia. Quiçá lá para o final do ano ou início de 2021, venhamos a ver uma economia mais “normalizada”. Até lá, muitas empresas irão experienciar muitas dificuldades e por isso é necessário estar muito atento e bem preparado para eventuais necessidades de adaptação e resposta rápida.

Da nossa parte, tentaremos aproveitar todas as oportunidades, que apesar de poucas, sempre aparecem em todas as crises.

Na sua opinião, o que vai acontecer ao setor dos pneus em Portugal pós Covid-19?
Acredito mesmo que desta vez, só realmente as empresas melhor preparadas, irão subsistir. O mercado no geral vai ter a clara noção de quem são os operadores fiáveis e com qualidade para ajudar as oficinas. Vários operadores não vão ter capacidade de resposta e alguns até já nem voltem a operar…ou pelo menos terão de trabalhar de uma forma muito diferente para se conseguirem aguentar. Isso vai obrigar as empresas a apostar ainda mais na qualidade dos seus serviços, mas também na qualidade, fiabilidade e continuidade das suas marcas e produtos. Já para não falar nas margens com que se terá que trabalhar. Nos últimos anos e meses assistimos a uma guerra de preços suicida e a uma absurda falta de consciência ou cultura comercial saudável e necessária para permitir a sobrevivência dos negócios e das empresas. Talvez agora quem está deste lado da barreira (falo da distribuição), perceba finalmente que não basta ter um armazém com “meia dúzia” de pneus e fazer preços agressivos. Será preciso muito mais do que isso! E o mercado vai reconhecer isso!

E felizmente a Tiresur está de pedra e cal no mercado. Somos um operador com muita experiência, com presença global (Espanha, Portugal, Brasil, Panamá e exportações para grande parte do continente africano e sul americano) e mais importante do que isso, com muito stock, marcas muito fortes e com produtos de altíssima qualidade e já com muita história no nosso mercado, cuja fiabilidade fala por si. Assim como pelo facto de que dispomos literalmente de todo o tipo de pneus, sendo por isso capazes de suprir as necessidades de todos os clientes do mercado.

Que mensagem deseja transmitir ao setor para o futuro?
A História mundial e da nossa sociedade está repleta de crises que foram acontecendo ao longo do tempo. Esta é mais uma e por isso temos de nos adaptar e tentar fazer os possíveis para a ultrapassar o melhor e o mais rapidamente possível. No fundo é mais uma…e como todas as outras, vai passar. Temos de ser positivos e estudar todas as formas possíveis de melhorar a nossa operação, a nossa oferta e a nossa eficiência. Às vezes as organizações precisam ser testadas, para poderem descobrir se as suas estratégias e os seus projetos são sólidos o suficiente para aguentar as vicissitudes da vida e que o mercado (ou neste caso, a economia), nos colocam.

Como costumamos dizer na Tiresur, o nosso lema é “Sim, Temos o que Procura” e além disso, a nossa filosofia assenta numa abordagem QFC – QUALIDADE, FIABILIDADE e CONTINUIDADE.

Estamos muito esperançosos e com a expetativa de que este ainda pode ser um ano muito positivo para nós. Até porque até ao final do ano, queremos inaugurar o nosso novo armazém e escritórios. Isso vai ser realmente um marco histórico para nós e vai catapultar-nos para um posicionamento ainda mais forte no mercado.

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João Vieira

Do mesmo Autor: João Vieira

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