“O preço dos fretes marítimos tem um reflexo negativo no preço final do produto”, Rui Chorado, Dispnal

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A Dispnal surgiu há 22 anos sempre ligada à comercialização de pneus, jantes de camião e câmaras de ar. Desde a sua criação que a empresa não se lembra de um aumento tão significativo dos fretes marítimos, o que por sua vez, leva ao aumento do preço final do produto.

Para fazer face a esta situação, Rui Chorado, Diretor da empresa, explicou à RP que a solução passa por “procuramos adaptar também a nossa forma de trabalhar, tornando-nos mais eficientes, e através da promoção dos nossos produtos de forma ponderada e sustentada podermos alcançar os objetivos a que nos propomos no início de cada exercício”.

Que efeitos está a ter o aumento do custo dos contentores para o negócio da sua empresa?
Desde logo, de referir que o aumento do preço dos fretes marítimos à escala global tem, necessariamente um reflexo negativo naquilo que é o preço final do produto, quando este é colocado no mercado. Penso que esta situação será comum a todo o tipo de mercadorias que são importadas do extremo oriente, uma vez que é impossível para as empresas absorverem todos esses aumentos, sem que isso se faça sentir no preço final dos produtos. Além disso, a dificuldade em encontrar embarques e rotas de trânsito têm vindo a aumentar, o que constitui desde logo, para nós, um desafio no sentido de encontrar disponibilidade, mesmo aos preços que são conhecidos no atual contexto de mercado.

 Considera que com este acréscimo de custos a importação de pneus vindos da Ásia / China deixa de ser rentável?
Considerando todas as variantes de negócio e aquilo que é a procura por produtos das gamas em questão, nunca se pode afirmar que o produto é ou deixa de ser rentável, pelo facto de termos mais custos associados. À semelhança do que acontece noutros ramos de negócio, existe sempre procura por produto de valor mais baixo, como é o caso destes produtos com origem no oriente, que mesmo com estes acréscimos continuam situados num patamar abaixo dos produtos designados como “premium”, até porque estes últimos também conhecem dificuldades, derivadas da situação atual em que vivemos.

Que resposta os operadores do setor em Portugal podem dar à harmonização de preços na Europa e os riscos de exposição aos grandes operadores europeus?
Aquilo que consideramos ser possível fazer nesta fase, passará essencialmente por encontrar formas de dinamizar o nosso modelo de trabalho e de negócio. Queremos com isto significar que além dos esforços que temos vindo a fazer para esbater ao máximo estes aumentos com os custos associados às importações, procuramos adaptar também a nossa forma de trabalhar, tornando-nos mais eficientes, e através da promoção dos nossos produtos de forma pondera e sustentada podermos alcançar os objetivos a que nos propomos no início de cada exercício. No caso concreto, a nossa equipa de trabalho tem, através desta filosofia, levado o barco a bom porto e superado os desafios com os quais temos sido confrontados.

Os carros elétricos que estão a ter um grande crescimento de vendas estão equipados com pneus cada vez maiores e com tecnologia mais evoluída. Considera que vai ser um bom segmento de mercado para o comércio de pneus?
É um facto que o atual panorama associado ao ramo automóvel é, nos dias que correm, em tudo diferente daquilo que conhecíamos desde há uns anos. O aparecimento de novas tecnologias associadas à mobilidade, nomeadamente à mobilidade elétrica, constitui, desde logo, um grande desafio no que concerne à adaptação do fabrico de pneus a este tipo de automóveis e outros veículos que utilizam este tipo de energia como forma de movimento. Observa-se, por esta via, um aumento da potência disponível, na relação com o tempo de resposta destes veículos, o que exige muito mais capacidades dos compostos de borracha dos pneus e também de todos os parâmetros que estes contêm, associados, quer segurança, quer à eficiência energética, os quais, cada vez mais representam um papel fundamental naquilo que são as exigências dos reguladores e dos consumidores, que observamos serem, a cada dia, mais informados e preocupados com os referidos parâmetros. Desta forma, consideramos que o futuro passará por um incremento neste segmento, de forma natural e gradual, e, por essa razão, existirá, com toda a certeza, uma correlação entre o aumento do parque automóvel elétrico e o mercado de pneus, com expressões positivas, associadas a este tipo de veículos.

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