“Demonstrámos o nosso espírito de equipa perante este desafio”, André Bettencourt, Bridgestone

“Demonstrámos o nosso espírito de equipa perante este desafio”, André Bettencourt, Bridgestone

A Bridgestone Portugal esteve desde o primeiro momento, a acompanhar as decisões governamentais e optou, no dia 16 de março, por enviar todos os colaboradores para casa, garantindo a continuidade do negócio através do teletrabalho. As exceções foram as equipas de logística e contratos quilométricos. Manteve o negócio, com todas as operações em pleno desenvolvimento, quer na receção de pedidos, quer nas entregas.

“Tem sido um grande desafio, mas ao mesmo tempo uma grande demonstração de espírito de equipa, em que aqueles que estão em casa procuram manter a sua atividade o melhor que podem apoiando, à distância, os colegas que se mantêm no terreno”, afirma André Bettencourt, diretor de marketing da Bridgestone Europe NV/SA Sucursal em Portugal.

O que mudou na atividade da Bridgestone?
Basicamente, mudou o local e a forma como trabalhamos. Deixámos de ter uma base para passar a ter várias localizações a partir das quais cada um de nós operacionaliza o negócio. Passámos a ter reuniões por videoconferência, quando na realidade antes tínhamos em muitos dos casos presencialmente. Tivemos que repensar a forma de falar com os clientes e apoiá-los à distância.

Tivemos que nos mudar para casa para assegurar um conjunto de ações que anteriormente eram efetuadas nas nossas instalações, mas tudo tem funcionado bem apesar de todas as alterações que esta situação tem provocado ao dia-a-dia dos nossos colaboradores.

Nesta fase, o teletrabalho cria-nos acima de tudo o desafio de manter um equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar, e isso nem sempre é fácil.

Não foi uma mudança tão grande do ponto de vista técnico e tecnológico porque nesse aspeto a empresa já estava bem preparada.

Acima de tudo o que mais mudou foi a forma de fazer o negócio e a intensidade do mesmo. No resto, a Bridgestone tem uma equipa sólida e com larga experiência, em que cada um sabe o que tem que fazer.

Como está a necessidade de isolamento social a impactar na atividade da Bridgestone?
Como é natural essa é a grande limitação, quer para nós quer para todos os nossos clientes. O isolamento social trouxe redução da utilização das viaturas. O país deixou de rolar como todos estávamos habituados e o grande impacto é essencialmente no consumo e naquilo que serão as prioridades para os consumidores portugueses nos próximos tempos.

Ao mesmo tempo, todos os colaboradores (e todos os portugueses) sentem a limitação de não poderem sair, estar com os clientes e também perto uns com os outros. Este é ainda um negócio que se baseia muito no contato humano e isso é algo de que todos sentimos muita falta.

Que meios utilizam para manter o contacto com os clientes?
Do ponto de vista administrativo e de vendas mantemos contato com os clientes de diferentes formas, dependendo também dos recursos que os nossos clientes têm. Os meios utilizados são, naturalmente, todos digitais. Falamos muito pelo telefone, mas também há casos em que temos videoconferências, tanto no WhatsApp como em plataformas como é o caso do Microsoft Teams.

Do ponto de vista da logística continuamos a ter em conta todas as precauções necessárias, acautelando que os motoristas da nossa transportadora estejam munidos de máscaras e luvas. É mesmo uma condição obrigatória e quem não o fizer pode ver a receção da mercadoria recusada pelos clientes.

Como estão a apoiar os vossos clientes neste momento difícil que o mercado está a viver?
De diferentes formas, mas acima de tudo ajudamos do ponto de vista humano. Mesmo mais longe temos feito o esforço para tentar contactar mais vezes com os nossos clientes. Depois temos algumas ações específicas em função do tipo de negócio e da relação que temos com cada cliente.

Que boas práticas estão a ser implementadas pela Bridgestone  para conseguir manter a atividade em segurança?
O manuseamento no nosso armazém é efetuado respeitando as sugestões do Serviço Nacional de Saúde, com a utilização de luvas e máscaras, assim como, mantendo o distanciamento entre os elementos que operam no mesmo espaço. A logística tem que ser efetuada por motoristas com o mesmo tipo de equipamento e respeito pela distância aquando das entregas.

Nas nossas instalações existem em vários corredores embalagens de gel desinfetante para que todos os colaboradores que ainda mantêm a atividade no terreno possam garantir a receção e entrega de qualquer documento e produto, sempre respeitando a sua segurança e a dos outros. A higienização foi algo que assegurámos logo desde o primeiro momento até como herança de outras doenças que também afetaram a Europa anteriormente.

Para o regresso às nossas instalações estamos já a desenvolver um conjunto de iniciativas que permitam a circulação com distanciamento entre todos desde as máscaras, às marcações no chão e a um conjunto de operacionalidades com que vamos ter que passar a saber viver. Esta situação está também a ser analisada para as equipas comerciais.

É possível contabilizar já os prejuízos causados pela Covid-19?
Parece-nos um pouco cedo para conseguirmos ter uma ideia real desse impacto. Mas é algo que afetará essencialmente as empresas cuja estrutura era já pouco sólida ou aquelas que ao longo dos anos vieram a reportar resultados francamente abaixo da realidade. Em termos de apoio do governo essas empresas não serão prioritárias e isso infelizmente poderá levar a alguns encerramentos. Esperamos que não seja o caso e que cada uma possa encontrar formas de se erguer e retomar a atividade.

Para quando antevê a retoma do setor?
Temos a expetativa de que na segunda quinzena de Maio parte da sociedade portuguesa poderá estar já mais ativa e isso trará consequentemente alguma atividade ao setor. No entanto, falar em retoma julgo que só o poderemos fazer bastante mais tarde. Junho e os meses que se seguirão serão a grande incógnita, pois tudo dependerá se o país conseguiu verdadeiramente retomar a atividade ou se tivemos que regressar todos novamente às nossas casas.

Mesmo considerando um cenário otimista não nos parece acertado falar em retoma num espaço temporal inferior a 3 meses, pois mesmo que os nossos clientes retomem a sua atividade, a compra de pneus e a manutenção automóvel poderão não ser a prioridade para o consumidor e retomar a dinâmica do mesmo vai ser algo complicado de alcançar no imediato.

Como tal, a retoma será feita no nosso entender sempre de uma forma gradual e em função da forma como o país se for comportando, do ponto de vista social e económico. Se as empresas não forem ajudadas terão que fazer cortes e as pessoas não terão empregos. Tudo isso levará a que a retoma se venha a basear naquilo que é a engrenagem da economia: riqueza gera riqueza…

Na sua opinião, o que vai acontecer ao setor dos pneus em Portugal pós Covid-19?
Julgamos que esta pandemia terá algumas semelhanças com aquilo que acontece num pós-guerra ou pós-cataclismo. Algo se perderá, mas, aos poucos e poucos, muito se erguerá. Acreditamos que as empresas no setor que estavam já “doentes” ou assentes em estruturas financeiras fracas vão ter muita dificuldade em se reerguer. O impacto da falta de faturação e a estrutura de custos assentes em passivos elevados (rendas, empréstimos, custos operacionais, etc) vão ser um dos grandes problemas para estas empresas. Aquelas que ao longo dos anos conseguiram construir uma “almofada” financeira serão aquelas que poderão reerguer-se ou recuperar mais rapidamente, mas tudo isso dependerá da quantidade de meses que o setor irá levar a recuperar. Muitos meses com ausência de faturação ou faturação baixa irão levar a dificuldades inultrapassáveis.

O setor vai ter que encontrar novas formas de recuperar a dinâmica e para isso vai ser provavelmente muito importante repensar a forma do negócio, mas, acima de tudo, de falar com o consumidor. Poderemos estar no princípio de uma nova forma de consumo de pneus. Sairá a venda online de pneus mais forte? Será a mobilidade do negócio um elemento chave para poder ter novamente clientes a mudar de pneus e a fazer revisões aos automóveis? O distanciamento social poderá ser aqui o elemento chave para o qual haverá que pensar em como não baixar os braços e descobrir novas soluções. O futuro vai existir para quem conseguir encontrar formas e serviços que respondam a uma eventual nova realidade…

Que mensagem deseja transmitir ao setor para o futuro?
Uma mensagem de realismo em que não vale a pena esconder que os próximos tempos não vão ser fáceis para ninguém, mas ao mesmo tempo uma mensagem de otimismo. Portugal é um país que se critica muito a si próprio pela falta de organização e planeamento, deixando muitas vezes tudo para o fim, mas a forma como gerimos toda esta situação a nível nacional é uma prova que não somos assim tão maus e que também sabemos fazer bem.

Esta mesma caraterística que por vezes tanto nos prejudica faz-nos também saber reagir com rapidez e eficácia quando as crises surgem, e isso poderá ser a nossa salvação. Esta capacidade tão Lusitana poderá ser um aliado para encontrarmos formas de ultrapassar as dificuldades mais depressa que outras nações. Já vemos isso no mercado com alguns dos nossos clientes a agirem, a irem ao encontro dos seus clientes, a criarem meios para que mesmo que os clientes tenham receio… as viaturas não deixem de fazer os serviços.

Esta é uma luta global. Uma luta que precisa de derrotar as rivalidades, as invejas, para dar lugar ao espírito da entreajuda entre todos, desde os fabricantes aos retalhistas e grossistas. Pensar fora da caixa e remar na mesma direção serão talvez os gestos mais relevantes nos próximos tempos para este e qualquer outro setor.

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João Vieira

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