“Todos precisamos de todos para conseguir ultrapassar estes tempos difíceis”, Carlos Marques, Fedima Tyres

“Todos precisamos de todos para conseguir ultrapassar estes tempos difíceis”, Carlos Marques, Fedima Tyres

A Fedima sabe que é em momentos de crise que somos forçados a tomar importantes decisões. Em meados de março, decidiu suspender a produção na empresa. Esta difícil decisão foi tomada com a consciência de que a quarentena voluntária era a melhor opção em termos de responsabilidade social, tanto para os seus colaboradores, como para a comunidade e país em geral. Deste modo, teve a consciência de dever cívico cumprido ao ajudar a evitar um aumento exponencial de casos Covid-19 no nosso país.

O que mudou na atividade da Fedima Tyres?
Em meados de Abril retomámos gradualmente a nossa actividade tomando as devidas precauções de modo a evitar o contágio dos nossos colaboradores. No mês de Maio voltámos a visitar os nossos clientes, pois a actividade de recolha de carcaças para recauchutagem é fundamental para o nosso negócio. Para tal fomos obrigados a pôr em prática um plano de medidas de prevenção para evitar o contágio nas diversas áreas operacionais da empresa.

Como está a necessidade de isolamento social a impactar na atividade da Fedima Tyres?
O impacto é muito forte, não só no mercado português como em todos os mercados na Europa. A obrigatoriedade de isolamento, com o encerramento de uma grande maioria dos ramos de actividade e o cancelamento de provas desportivas condicionou radicalmente o consumo de pneus a partir de meados de Março.

Que meios utilizam para manter o contacto com os clientes?
Durante o período de encerramento da produção, mantivemos sempre o armazém em funcionamento com envio de produtos por transportadora, privilegiando os canais de comunicação digitais. Desde o início de maio que voltámos às visitas regulares aos nossos clientes.

Como estão a apoiar os vossos clientes neste momento difícil que o mercado está a viver?
Neste momento tem de imperar o bom senso. Os tempos são difíceis para todos de um modo geral, não só para os nossos clientes. São difíceis para nós, são difíceis para os nossos fornecedores, pelo que temos de gerir o negócio com cautela de modo a não penalizar as necessidades de tesouraria, que serão fundamentais nos próximos tempos, e ao mesmo continuar a assegurar a preservação da actividade de todos os players do mercado. Todos precisamos de todos para conseguir ultrapassar estes tempos de pandemia.

Que boas práticas estão a ser implementadas pela Fedima Tyres para conseguir manter a atividade em segurança?
Definimos um Plano de Contingência de acordo as directrizes da DGS e implementámos diversas regras operacionais que evitam a propagação do vírus, nomeadamente na utilização de máscaras e viseiras, na higienização/desinfecção regular de todas as áreas de trabalho e zonas envolventes (em toda a empresa) e delimitação de zonas de circulação e contactos dentro da empresa.

É possível contabilizar já os prejuízos causados pela Covid-19?
Nos meses de Março e Abril as quebras de vendas rondaram os 60%, mas relativamente a prejuízos ainda é cedo para os contabilizarmos, sendo que a maior condicionante será a incerteza na evolução desta pandemia, contudo, estamos a redefinir o nosso negócio com base numa política de redução de custos e optimização de recursos, de modo a evitar ao máximo as perdas.

Para quando antevê a retoma do setor? E de que forma?
No imediato, esperamos alguma retoma com esta abertura gradual dos países, mas estamos muito reticentes relativamente à evolução das vendas e pensamos que nos próximos meses não iremos conseguir recuperar as vendas a 100%, tendo em conta o cenário previsível de termos de conviver com o vírus por cerca de 12 a 18 meses (ou mais).

Na sua opinião, o que vai acontecer ao setor dos pneus em Portugal pós Covid-19?
Depois desta pandemia, muitos negócios terão de ser reinventados, o que poderá influenciar a dimensão do mercado de pneus de um modo geral.  Muitas das empresas do sector dos pneus que existem atualmente terão de se adequar a novas realidades. Possivelmente, algumas não conseguirão ultrapassar as perdas e terão de encerrar. Tudo depende de quanto tempo irá durar esta pandemia ou de como cada empresa consegue continuar o seu negócio de forma sustentável durante este período.

Que mensagem deseja transmitir ao setor para o futuro?
Penso que esta crise nos obriga a parar e a repensar o modo como encaramos o futuro. Definitivamente a Europa deveria adequar a sua oferta às suas necessidades e passar a produzir apenas o que necessita para consumir, e os Europeus deveriam de um modo geral passar a consumir “apenas” o que é produzido na Europa, protegendo assim os seus empregos e a sua economia.  Em muitos mercados iremos ter consumidores mais moderados e mais sensibilizados à tendência do “consuma o que é nosso”, mais solidários, o que até pode ser uma oportunidade para a indústria do velho continente… Mas o mais importante é sermos perseverantes e conscientes de que juntos vamos ultrapassar isto!!

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João Vieira

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