“Queremos crescer bastante mais!”, Nex Tyres

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A Nex Tyres está a celebrar uma década no mercado nacional. Para assinalar a data e para dar melhor resposta ao crescimento da empresa, abriu um novo armazém em Leiria, com 16.000 m2, e capacidade para 200 mil pneus, de forma a centralizar as operações logísticas e também para dar novo fôlego ao negócio. Aldo Machado, diretor-geral da Nex Tyres, mostra-se confiante no crescimento, acreditando que os resultados se hão de fazer sentir gradualmente daqui para a frente

Depois de um crescimento “exponencial” nos primeiros anos, Aldo Machado conta que no ano da pandemia, em 2020, “quebrámos em cerca de 500 mil euros o volume de negócios que tínhamos em relação a 2019. Depois retomámos o ritmo de crescimento com a abertura do armazém no Pinhal Novo; no entanto, no final de 2024, notámos que já não conseguíamos, dentro das capacidades estruturais que tínhamos, crescer muito mais. E, a partir daí, tivemos a estudar uma reestruturação logística que nos trouxe até Leiria e, este ano, faremos algo mais que o ano passado em termos de faturação”. O diretor-geral considera que o encerramento dos três armazéns até então existentes (Póvoa de Santa Iria, Pinhal Novo e Porto) e a abertura do novo armazém central permitirão impulsionar a Nex Tyres já a partir de 2026: “Vamos fazer valer os pergaminhos desta mudança, queremos crescer bastante mais e dar sequência a todo este trabalho”, afirma.

Soluções multiproduto e multissegmento
Quando a empresa arrancou, tinha apenas pneus para ligeiros e pesados, mas com o passar do tempo, foi acrescentando “aquilo que um verdadeiro distribuidor deve ter, que são soluções para os seus clientes, por isso introduzimos a gama agrícola, a gama industrial de engenharia civil e depois a gama de moto. Além disso, fomos notando que o mercado exigia soluções, dentro de cada uma dessas gamas, soluções muito mais amplas, desde a mais económica à mais premium”, diz o diretor-geral, esclarecendo que “estes dez anos foram-se pautando por um trabalho muito suportado na equipa comercial e em toda a equipa Nex, mas sempre com uma motivação principal, que é servir o cliente todos os dias nas suas necessidades”.

Sobre o facto de a Michelin e a Rodi serem proprietárias da Nex Tyres, Aldo Machado refere que “a associação à imagem Michelin foi algo que o mercado estranhou, por estar relacionada com um fabricante premium, mas depois acabou por se entranhar. Não que houvesse qualquer tipo de conexão real, porque a Michelin nunca se tentou imiscuir diretamente na gestão da Nex, é apenas um dos proprietários. Mas quando o mercado se foi apercebendo que a Nex não é um distribuidor exclusivo Michelin, mas sim multimarca que pertence a um fabricante, e por inerência, tem marcas associadas à Michelin, e tem muitas outras opções que não se cingem apenas a esse grupo. Havia algumas questões que o mercado acabou por ir esclarecendo de forma natural, ao longo dos anos, e hoje em dia ninguém se lembra que a Nex pertence à Michelin a 50%”, garante.

Armazém central
Por sentir que estava a estagnar, especialmente na falta de capacidade de resposta aos clientes, a Nex Tyres encerrou os três polos logísticos que detinha, para abrir apenas um, em Leiria, onde centraliza agora toda a operação. O novo armazém tem 16 mil metros quadrados de área, num espaço que permite armazenar até 200 mil pneus. Era, para a Nex Tyres, uma mudança “quase obrigatória, era preciso alterar o modelo logístico, porque tínhamos todo o nosso stock em Portugal distribuído por três plataformas e agora conseguimos concentrar numa que serve todo o país. Conseguimos crescer, temos muito mais área de armazenagem e muito bem distribuída. Quem já conhece o armazém, apercebe-se que para além de ter uma estrutura logística perfeita, está muito bem localizado a nível geográfico, o que permite que todo o nosso stock esteja visível. Portanto, prestamos um serviço muito melhor, com muito mais qualidade e no centro do país, que é uma zona onde não há tanta pressão a nível de custo por metro quadrado, num negócio que cada vez necessita de mais área e cujos preços no imobiliário fazem pesar e muito no orçamento”, nota Aldo Machado. A capacidade máxima do armazém ascende aos 200 mil pneus, dos quais 12 mil em termos de pesados, seis mil para pneus agrícolas e 12 mil no que respeita aos pneus para motos. Neste momento, estão a trabalhar com 150 mil pneus, “algo que vamos ajustando à medida das necessidades do mercado e do próprio crescimento natural da Nex, e que não conseguíamos com as anteriores estruturas, em que já estávamos completamente colapsados”, afirma o diretor-geral da empresa, que recebe em torno de 500 pedidos por dia e que assegura entregas bidiárias, de norte a sul do país.

“A conexão com o cliente é fundamental”
Com a mudança para Leiria, a equipa da Nex Tyres cresceu de 23 para 30 elementos, tendo sido reforçado não só o departamento logístico, como também a parte administrativa: “Temos mais duas pessoas na área financeira, vamos ter um reforço também na área de call center e, na parte de IT, teremos uma pessoa dedicada cá em Portugal, para reforçar a equipa e as capacidades internas, de modo a poder continuar a prestar um bom serviço”, diz-nos Aldo Machado, que defende que “a conexão com o cliente é fundamental, é muito importante ter alguém de confiança e que esteja bem preparado tecnicamente. Os nossos quatro comerciais têm, todos eles, mais de 20 anos de experiência no mercado e eu acho que a relação do cliente com a Nex é de muita confiança e tem sido sempre reforçada ao longo do tempo por essa equipa comercial. Nunca vamos prescindir da força dessa equipa comercial, porque isso é o que nos une aos nossos clientes, não vamos ser um B2B puro, com preço. A Nex vai continuar a ser aquilo que é a sua filosofia, que é estar próximo do cliente, e isso é ter uma cara, não pode ser um computador”, sublinha.
No início de 2026 está prevista a implementação do novo B2B, que inclui uma plataforma de fidelização, assim como o “CRM 5, que os nossos comerciais já estão a trabalhar com novas plataformas e vamos também migrar o nosso ERP a partir de 2026, portanto, é um novo desafio a nível interno”, conta Aldo Machado. Além-fronteiras, o grupo da Nex Tyres tem adquirido alguns operadores do setor, mas em Portugal esse não é um objetivo: “Não está nada previsto em termos de fusões e aquisições. O mercado português precisava de ganhar mais dimensão, mas os operadores não têm essa disponibilidade, nem nós estamos interessados”, destaca.

“Continuamos a crescer nos segmentos premium”
Ainda que mais de 50% do mercado se enquadre já no segmento «budget», o que é “uma tendência preocupante”, o diretor-geral da Nex Tyres congratula-se por continuar a crescer nos segmentos premium. O grande peso da faturação recai nos pneus para veículos ligeiros, seguindo-se os pesados e depois os de moto, ao passo que Aldo Machado admite que “perdemos alguma relevância nos pneus agrícolas, porque deixámos de trabalhar há alguns anos com uma empresa que era uma das referências do mercado e agora não temos uma oferta tão alargada que nos permita ombrear”.

Além da Mabor, “histórica no mercado nacional”, o responsável revela que não têm “introduzido mais marcas, porque já temos um portefólio muito abrangente. Temos procurado melhorar o que temos dentro de portas, para que o cliente veja que temos as marcas e que lhes damos continuidade, porque introduzir mais, com menos qualidade, não nos interessa”. Por outro lado, o diretor afirma que os pneus para veículos elétricos e híbridos “estão em franco crescimento e há cada vez mais procura”.

Ajudar a fazer crescer o negócio
Para fidelizar os seus clientes, a Nex Tyres tem “um programa de viagens de incentivo, uma parceria estreita com o grupo Continental, das marcas Continental e Mabor, onde dinamizamos um catálogo de pontos. Temos também um programa de incentivo para o grupo de clientes da rede KSC, e estamos sempre a tentar desenvolver novas ferramentas, que permitam que os clientes, olhando para a Nex, tenham também algum retorno do seu envolvimento com a nossa empresa. Que seja algo que os ajude, não só em termos pessoais, como também a fazer crescer o negócio”, explica-nos Aldo Machado.

A Nex Tyres dinamiza a rede de oficinas KSC que está “a ter um crescimento mais ténue, depois de ter atingido um ponto de maturidade. A marca Kleber continua a ganhar uma boa representatividade no mercado, principalmente no segmento onde se insere. É cada vez mais reconhecida, e para o ano que vem, prevêm-se mais de 180 dimensões novas”.

Na área da formação, a Nex Tyres mantém o portal Campus Nex atualizado com algumas formações, mas com cada vez menos procura, “pois há cada vez menos pessoas para fazer cada vez mais trabalho. Portanto, as pessoas não prestam atenção a formações. Custa-lhes ter tempo para tudo no seu negócio e depois este tipo de formações acabam por ser um momento mais de lazer”, afirma, notando que o encerramento deste projeto pode estar em cima da mesa a médio prazo.

“As normativas traduzem-se em muita carga administrativa”
O tema das alterações na legislação, sobretudo no que concerne à implantação da política europeia da prevenção florestal, o EUDR, a etiqueta RFID e o anti-dumping terão impactos fortes no setor da distribuição de pneus e Aldo Machado não poupa críticas às normativas. “Em princípio, vai ser adiada a entrada em vigor da norma EUDR, por mais um ano, mas estas normativas traduzem-se em muita carga administrativa. A norma EUDR é muito importante na sua base conceptual, que é proteger as florestas. O produtor, sim, deve ter essa certificação, seja por que entidade for. Agora, não se pode descarregar em todos os operadores do mercado a necessidade de fazer o cumprimento da norma, até ao cliente final, isso não faz nenhum sentido. É o mesmo que obrigarmos as pessoas que compram uma batata a saber onde é que ela foi produzida e que haja um registo de geolocalização disso. Isto gera gigas e gigas de informação que ninguém sabe onde é que vão ser guardados e que não fazem nenhum sentido porque o cliente final não vai olhar para nada disto”, argumenta, considerando que o mesmo se passa com a etiqueta RFID: “o pneu vai ter a sua identificação, o que para nós, dependendo da informação que vier, pode ser uma boa ferramenta em termos logísticos, mas são coisas que não interessam a mais ninguém e isto vai ser um problema para as pequenas empresas, porque as grandes vão ter que se adaptar, colocando mais recursos e dinheiro em cima da mesa, mas as pequenas empresas vão ter um problema grande”, antevê.

Já a lei anti-dumping é, a seu ver, “positiva, porque havia uma série de fabricantes chineses que colocaram pneus no mercado a um preço completamente desestabilizador e a União Europeia fez o mesmo que já tinha acontecido nos pneus pesados. Creio que o mercado que se irá gradualmente regulando e será daqui a um ano muito mais homogéneo em relação ao que é o custo do pneu e aquilo que é praticado no preço de vendas ao consumidor”.

Prestar melhor serviço
Para o futuro, Aldo Machado é claro… saiba o que ambiciona o diretor geral, aqui.