Elevados custos das importações, Aldo Machado, Nex Tyres

Um contentor de 40 pés HC [um dos formatos mais utilizados] para a China custava, em Novembro de 2019, 1.550 dólares, atualmente custa 4.375 dólares.
Aldo Machado, Country Manager da Nex Tyres, contou à Revista dos Pneus como tem a empresa lidado com a inflação dos custos de contentores, bem como a escassez dos mesmos.
Que efeitos está a ter o aumento do custo dos contentores para o negócio da sua empresa?
O impacto nos preços de custo tem sido enorme e está a provocar um fenómeno inflacionista nos preços das mercadorias provenientes dessa zona do globo. Isto para além dos enormes atrasos que, seja por via da falta de contentores ou dos constrangimentos provocados pelo bloqueio do Canal de Suez, levam a que os nossos stocks tenham oscilações importantes.
Considera que com este acréscimo de custos a importação de pneus vindos da Ásia / China deixa de ser rentável?
Este impacto afeta também a produção de pneus na Europa, visto que as matérias primas também são (em grande parte) provenientes da Ásia, levando a que o fenómeno inflacionista se torne global (e não apenas neste sector, algo que começa a elevar o nível de alerta na economia mundial)
Que resposta os operadores do setor em Portugal podem dar à harmonização de preços na Europa e os riscos de exposição aos grandes operadores europeus?
Creio que, na atual conjuntura, os operadores portugueses não se encontram sob ameaça, isto é, não se vislumbram movimentos relevantes dentro do sector que levem a que os grandes players do centro da Europa possam interferir de sobremaneira no funcionamento do (maduro) mercado português.
Os carros elétricos que estão a ter um grande crescimento de vendas estão equipados com pneus cada vez maiores e com tecnologia mais evoluída. Considera que vai ser um bom segmento de mercado para o comércio de pneus?
A tendência de utilização de pneus com dimensões superiores não é exclusiva dos automóveis elétricos. Ainda assim, e porque há uma cada vez maior proliferação de homologações, modelos com equipamentos de redução de ruído, etc, consideramos que (uma vez mais) será importante que o retalho confie no trabalho dos distribuidores grossistas de pneus já que será tecnicamente impossível ter todas estas soluções em stock e o recurso ao parceiro de distribuição será seguramente a “chave” para o sucesso na venda.




