Os novos donos do negócio pós-venda automóvel

Durante as últimas décadas, embora o mercado pós-venda tenha evoluído, os modelos de negócio básicos não mudaram na sua essência. As pessoas e as empresas adquirem veículos e estes veículos são assistidos e mantidos pelos concessionários ou pelas oficinas independentes.
À medida que os veículos se tornaram mais sofisticados com a introdução de sistemas controlados eletronicamente, a capacidade de aceder às informações técnicas necessárias para diagnosticar, reparar ou manter o veículo tornou-se cada vez mais crítica, tendo sido necessária legislação para garantir que ainda podem ser oferecidas escolhas competitivas.
Poder reparar os veículos atuais tem sido, portanto, uma questão de formação e equipamento adequados, apoiados pelo marketing local para atrair proprietários de veículos para a sua oficina. Isto é relativamente simples e mais um processo de educação do que uma revolução do modelo de negócio básico – mas esta realidade está a começar a mudar. O futuro está a ser visto como “mobilidade” e “serviços de mobilidade”, e a forma como se está a desenvolver terá um impacto acentuado no mercado pós-venda tal como o conhecemos hoje.
Há várias razões fundamentais pelas quais o futuro irá impor uma mudança nos modelos de negócio atuais. Os grupos propulsores continuam a evoluir e este ritmo de mudança irá aumentar. Os veículos podem ainda ter um motor de combustão interna, mas este fará parte de um sistema híbrido, que é mais provável que seja a gasolina do que a gasóleo – mas incluirá alguma forma de motor elétrico – quer como unidade de transmissão direta, quer como “mild hybrid” de 48 volts, mas em ambos os casos com funções de recuperação de energia que reduzem a necessidade de travagem e, consequentemente, a substituição dos componentes do sistema de travagem. Este facto ganha ainda mais amplitude se o veículo for totalmente elétrico, sendo necessários muito menos requisitos de serviço e manutenção. No entanto, estes tipos de veículos apenas irão criar uma evolução dos modelos de negócio atuais.
A revolução chega quando se considera a mudança de propriedade do veículo que está a verificar-se cada vez mais e cujo ritmo irá aumentar. Os “bons velhos tempos” da aspiração de possuir um veículo já não se confirma na geração mais jovem e está a ser desenvolvida toda uma nova gama de “serviços de mobilidade”. Em muitos casos, isto significa que o proprietário do veículo deixa de ser um indivíduo para se tornar uma organização empresarial, ou mesmo continuar a ser o próprio fabricante do veículo. Se o fabricante do veículo continuar a ser o proprietário do veículo, então também poderá exigir que os trabalhos no âmbito da garantia sejam tratados por si, para assegurar que os seus “padrões” são mantidos. Em última análise, à medida que os modelos de propriedade de veículos mudam e os “serviços de mobilidade” se tornam a norma, cada elemento do seu negócio é suscetível de ser gerido pelas exigências das organizações empresariais. Esta não é uma questão legislativa, mas uma consequência direta das mudanças nos modelos de serviços de mobilidade e do seu impacto comercial. Isto muda fundamentalmente a forma como a manutenção e a reparação do veículo serão efetuadas.
A boa notícia é que ainda serão necessárias oficinas independentes, mas o impacto mais significativo será a redução nas suas taxas horárias e margens nas peças de substituição. Em última análise, isto pode também ter impacto no “modus operandi” da oficina, ao impor requisitos técnicos, de gestão e de elaboração de relatórios. Surge assim uma questão simples: Quem controla efetivamente o seu negócio – você ou o proprietário do veículo de serviços de mobilidade? ♦




