A Michelin anuncia produção de butadieno de origem biológica

A Michelin, a IFPEN (IFP Energies Nouvelles) e a Axens divulgaram, no passado dia 19 de janeiro, o primeiro demonstrador à escala industrial para a produção de butadieno de origem biológica. O demonstrador foi construído no âmbito do projeto BioButterfly, em que participam os três parceiros, e conta com o apoio da ADEME (Agência Francesa do Meio Ambiente e Gestão da Energia)
O demonstrador foi construído no âmbito do projeto BioButterfly, em que participam os três parceiros – a Michelin, a IFPEN (IFP Energies Nouvelles) e a Axens, com o apoio da ADEME (Agência Francesa do Meio Ambiente e Gestão da Energia). Este projeto tem como objetivo desenvolver e comercializar um processo de produção de butadieno a partir de etanol extraído de biomassa (plantas), para substituir o butadieno proveniente de matérias-primas fósseis. O BioButterfly dá, assim, um importante passo para a criação de uma indústria de elastómeros sintéticos de origem biológica.
Um avanço importante para acelerar desenvolvimento do sector do butadieno de origem biológica
O butadieno, uma diolefina C4, é um importante intermediário químico utilizado na produção de inúmeros polímeros para um amplo leque de aplicações. 40% do butadieno é utilizado para produzir elastómeros destinados ao mercado dos pneus; os restantes 60% são utilizados, principalmente, na produção de vernizes, resinas, plásticos do tipo ABS, e nylon para aplicações nos sectores automóvel, têxtil, e da construção. Todas estas aplicações oferecem mercados potenciais adicionais para o butadieno de origem biológica.
Após o seu lançamento, em julho de 2023, o demonstrador à escala industrial deverá validar cada etapa do processo de fabrico do butadieno de origem biológica. Deste modo, prova-se a sua viabilidade tecnológica e económica, com uma capacidade de produção de entre 20 e 30 toneladas métricas por ano, uma escala que permitirá um rápido desenvolvimento industrial.
Esta fase de demonstração prepara o caminho para a comercialização global deste novo processo, que permitirá a produção de borrachas sintéticas inovadoras sem depender dos recursos de origem fóssil, e para o desenvolvimento de uma nova indústria do butadieno de origem biológica. A comercialização desta tecnologia por parte da Axens será um passo crucial para garantir volumes significativos de butadieno renovável.
Um compromisso reafirmado pelo grupo Michelin, IFPEN e Axens
A inauguração deste demonstrador ilustra a determinação dos três parceiros, de fomentar o desenvolvimento de uma indústria francesa de elastómeros sintéticos de origem biológica ao serviço de uma indústria mais sustentável.
“Para a Michelin, que, atualmente, utiliza butadieno proveniente do petróleo para fabricar as suas borrachas sintéticas, esta tecnologia representa uma magnífica oportunidade para contribuir para o alcançar do objetivo de incorporar 100% de materiais renovados ou reciclados nos seus pneus até 2050. Para o Grupo, também se trata de contribuir para o desenvolvimento de uma cadeia de produção de butadieno renovável, em linha com as ambições fundamentais da Michelin em termos de circularidade, e de materiais renovados ou reciclados”, declarou Eric-Philippe Vinesse, Vice-Presidente de Investigação e Desenvolvimento e membro do Comité Executivo do Grupo.
“O demostrador assinala um marco importante para a industrialização do processo de produção de butadieno de base biológica, após mais de dez anos de investigação e de inovação com os nossos parceiros. O nosso compromisso com o BioButterfly ilustra a nossa vontade de dar resposta às expectativas dos fabricantes e da sociedade no âmbito da bioquímica”, referiu Catherine Rivière, Diretora General Adjunta da IFP Energies Nouvelles.
“Com esta parceria, a Axens demonstra o seu compromisso com os fabricantes que procuram soluções de base biológica. Graças ao talento e à experiência das nossas equipas e dos nossos parceiros, o uso de butadieno de origem biológica será uma realidade para muitos atores industriais que buscam materiais renováveis. Juntamente com a reciclagem, é um dos grandes desafios do futuro, para que temos o prazer de contribuir difundindo e integrando soluções tecnológicas inovadoras e fiáveis, como o Biobutterfly”, explicou Jean Sentenac, Diretor-Geral da Axens
Até à data, o projeto BioButterfly representa um investimento total de mais de 80 milhões de euros, incluindo 14,7 milhões de euros de ajuda da ADEME (Agência Francesa do Meio Ambiente e Gestão da Energia), no âmbito do Programa de Investimentos para o Futuro. O projeto também recebeu o apoio da região de Nouvelle Aquitaine e da Comunidade Urbana de Bordéus. Até à data foram criados uma centena de postos de trabalho nas instalações da Michelin em Bassens.




