Michelin e parceiros impulsionam produção de hidrogénio verde

03 - Michelin e parceiros impulsionam producao de hidrogenio verde

A Michelin, em colaboração com instituições científicas francesas, lançou o laboratório Alcal´HyLab para desenvolver uma nova tecnologia sustentável de produção de hidrogénio a partir da água, combinando inovação e respeito pelo meio ambiente

A Michelin, o CNRS, a Universidade Grenoble Alpes, o Grenoble INP-UGA e a Universidade Savoie Mont Blanc anunciaram, a 14 de março de 2025, um acordo de colaboração para desenvolver uma tecnologia sustentável de produção de hidrogénio a partir da água. Durante quatro anos, as equipas de investigação do novo laboratório Alcal´HyLab irão trabalhar na criação de materiais inovadores que impulsionem a produção de hidrogénio verde em escala industrial. Este é o terceiro laboratório conjunto entre a Michelin e o CNRS dedicado à investigação nesta área.

Atualmente, não existe um método viável para produzir hidrogénio de forma massiva e sustentável. A maior parte da produção global corresponde ao hidrogénio “cinzento” e “negro”, obtido a partir de recursos fósseis e responsável por mais de 2% das emissões mundiais de CO₂. Embora existam alternativas menos poluentes, como o hidrogénio “azul”, ainda falta uma solução sustentável a nível industrial. Apesar do potencial do hidrogénio verde, produzido com energia renovável, este representa menos de 5% da produção global.

A água como solução promissora

Já existem diferentes métodos para produzir hidrogénio verde a partir da água. A eletrólise alcalina da água (AWE), descoberta há mais de 200 anos, utiliza metais não nobres, como o níquel, mas não permite uma produção eficiente em alta velocidade nem a combinação com energias renováveis. Para superar essas limitações, foi desenvolvida a tecnologia PEMWE, que usa uma membrana polimérica para obter hidrogénio de elevada pureza. No entanto, esta abordagem depende de metais raros e gera resíduos contaminantes.

O desenvolvimento de materiais para eletrolisadores de nova geração

Com o apoio do polo de I+D da Michelin em Clermont-Ferrand, as equipas de investigação do Laboratório de Eletroquímica e Físicoquímica de Materiais e Interfaces (CNRS/Universidade Grenoble Alpes/Grenoble INP-UGA/Universidade Savoie Mont Blanc), sob a direção do investigador do CNRS, Frédéric Maillard, esperam desenvolver uma tecnologia de eletrólise da água que combine o melhor de ambos os mundos. O objetivo é poder beneficiar tanto das vantagens da tecnologia AWE (uso de metais não nobres abundantes na crosta terrestre), como da PEMWE (que utiliza uma membrana polimérica que permite alcançar elevadas velocidades de produção de hidrogénio, pressurizar os gases produzidos, uma alta pureza dos gases, e acoplar o eletrolisador com energias renováveis).

Esta nova tecnologia, denominada eletrolisador de água de membrana de intercambio aniónico (AEMWE), requererá o desenvolvimento de nano-catalisadores compostos por metais que abundam na crosta terrestre, como o níquel, assim como una membrana polimérica de intercambio aniónico que seja mais respeitadora do meio ambiente.

“A criação do AlcalHylab, o décimo laboratório de investigação conjunto entre a Michelin e o CNRS, é uma nova prova da confiança mútua entre as nossas duas instituições. Este trabalho, em que também participam os nossos parceiros académicos (a Universidade Grenoble Alpes, o Grenoble INP-UGA e a Universidade Savoie Mont Blanc), reforçará a nossa longa colaboração e o nosso interesse comum no domínio das tecnologias do hidrogénio”, afirmou Jacques Maddaluno, diretor de Química do CNRS.

“O grupo Michelin há mais de 20 anos que se interessa pelo hidrogénio, reconhecendo o seu potencial para reduzir as emissões de CO2 e para a transição energética, tanto na mobilidade, como na descarbonização de inúmeros sectores industriais. A abertura deste novo laboratório conjunto com o CNRS, a Universidade Grenoble Alpes, o Grenoble INP-UGA, e a Universidade Savoie Mont Blanc, o terceiro especificamente dedicado à investigação na área do hidrogénio, reforçará a nossa experiência nos processos e materiais que permitiram a descarbonização da sua produção em grande escala no futuro”, concluiu Christophe Moriceau, diretor de investigação avançada do grupo Michelin.