“O mercado deve mudar o seu paradigma”, Aldo Machado, NEX Tyres Portugal

“O mercado deve mudar o seu paradigma”, Aldo Machado, NEX Tyres Portugal

A NEX Tyres cumpriu, em 2019, o seu quarto ano de atividade no mercado nacional. E Aldo Machado, country manager para Portugal, garante que o balanço foi positivo e que os objetivos propostos foram cumpridos.

Quais as novidades previstas para 2020 a nível de produto?

Em 2020, lançaremos no nosso país duas novas marcas distribuídas em regime de exclusividade, uma delas na área agrícola (Goodyear). Temos prevista a entrada de uma marca no segmento scooter ainda durante o primeiro semestre.

Quais os segmentos que tiveram maior crescimento?

De modo geral, o ano de 2019 foi positivo em todas as gamas comercializadas pela NEX.

Como vê a evolução dos canais de venda, em particular o interesse que as oficinas de mecânica e os concessionários de automóveis estão a demonstrar pelos pneus?

Na NEX, pensamos que o pneu deve ser focado como um produto de complexidade técnica por ser um órgão de segurança ativa do veículo. Tendo em conta este pressuposto, caso existam condições para prestar um serviço adicional de qualidade, pensamos que existe uma oportunidade de negócio. Caso contrário, será uma forma pouco “ortodoxa” de desvalorizar o papel do pneu no mercado automóvel e que em nada beneficiará o novo operador que pretende aflorar esta atividade.

Vê o distribuidor com um papel fundamental no futuro do negócio das casas de pneus e retalhistas? Qual o papel do distribuidor ou armazenista na cadeia de valor?

Acreditamos que o papel fundamental do distribuidor já é uma realidade e que continuará a desempenhar um papel de relevância no futuro. A disponibilização de stocks alargados num mercado cada vez mais atomizado (ao nível de marca e, também, das diversas dimensões, modelos e homologações) com serviços logísticos de excelência, são fatores diferenciadores que, neste momento, só estão ao alcance dos distribuidores de pneus, que, assim, facilitam e apoiam o negócio dos clientes que operam no retalho.

Que ações devem ser tomadas junto dos automobilistas para uma maior sensibilização relativamente à importância que o pneu tem para a segurança?

Apesar das diversas campanhas promovidas, achamos que as autoridades competentes devem tomar medidas urgentes no sentido de impor regras mais assertivas (e, também, punitivas) em toda a cadeia de valor relacionada com este produto e não apenas a montante dessa mesma cadeia.

As enormes obrigações que incidem sobre produtores, distribuidores e retalhistas não se refletem em diversos aspetos, como a comercialização desregulada de pneus usados, a apresentação de pneus inadequados nas viaturas quando as mesmas se deslocam aos centros de inspeção (pneus com mais de 10 e 15 anos, adaptados a condições climatéricas adversas que não existem no nosso país, por exemplo) e, isso, na nossa opinião, deve ser tratado de forma urgente e diligente, visto que a segurança rodoviária deve(ria) ser um desígnio nacional.

Que análise faz do mercado de pneus em Portugal?

É um mercado maduro, competitivo e bastante atomizado, com tendências de verticalização por parte dos fabricantes europeus e caracterizado por um setor retalhista de pequena dimensão.

A conjugação destes fatores leva a uma prestação de serviço sem o correspondente valor acrescentado (muito vincado nos resultados financeiros dos mesmos) e a uma depreciação do valor do produto, que também é influenciada pela disponibilidade de oferta e a estagnação da procura.

Em termos gerais, quais são os fatores que mais estão a condicionar o comércio de pneus em Portugal?

De forma positiva, a evolução tecnológica, os sistemas logísticos e a comunicação dentro do setor permitem que o mesmo se encontre, de modo geral, estável. De forma negativa, notamos a fragilidade financeira por parte de uma fatia importante do mercado como um obstáculo ao crescimento (ainda que a melhoria das condições sócio económicas pós-crise tenha permitido manter a sua atividade), assim como o descontrolo da cadeia de fornecimento regular do produto que provoca uma degradação da imagem de todo o setor.

Qual a sua visão de futuro a médio e longo prazos acerca do comércio de pneus em Portugal?

É muito complicado perspetivarmos um futuro a longo prazo, numa altura em que o próprio setor automóvel mundial não consegue definir de uma forma unânime qual será o seu caminho. Sabemos, claramente, que queremos estar presentes nesse futuro, que daremos continuidade ao nosso papel de apoiar os nossos clientes, suportados na nossa equipa humana e nos nossos parceiros.

Sentimos que o mercado deve mudar o seu paradigma, que deve ganhar dimensão. Isto tanto na distribuição como no retalho, mas que os últimos anos deram fracos sinais de que tal possa vir a suceder. Se já acontece com os grandes fabricantes de automóveis, de componentes e de distribuidores ligados ao aftermarket, pode ser que esta nova década nos traga uma visão renovada para o setor, porque sem essa dimensão o comércio de pneus torna-se vulnerável, ao mesmo tempo que nunca será atrativo para o investimento direto dos grandes operadores de escala mundial, perdendo, irremediavelmente, o seu valor.

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João Vieira

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