Michelin mantém metas para 2025 com 1,5 mil milhões de lucro

A Michelin apresentou um lucro operacional de 1,5 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025, apoiado por um forte efeito de mix de preços, apesar da quebra nos volumes. O Grupo mantém as suas metas financeiras anuais, destacando a solidez do modelo de negócio face ao contexto instável
Num contexto instável, que continua a afetar os mercados e moedas onde opera, o Grupo Michelin alcançou um lucro operacional de 1,5 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025, impulsionado por um forte efeito de mix de preços. O Grupo reforça, assim, a sua confiança nas metas ambiciosas traçadas para este ano.
O desempenho do semestre reflete a quebra nos volumes, sobretudo nas atividades de equipamento original, mas beneficia de uma sólida estratégia de valorização dos produtos. As vendas totalizaram 13 mil milhões de euros, uma quebra de 3,4%, influenciada por um efeito cambial adverso de 1,5% devido à valorização do euro, que se intensificou no segundo trimestre (com uma descida de 3,6%).
Os volumes de pneus caíram 6,1%, principalmente nas vendas para equipamento original (OE), em mercados que se mantêm fracos, especialmente nos segmentos de camiões, agrícolas e de infraestrutura. Já o segmento de substituição revelou maior estabilidade, com volumes próximos aos de 2024 (-1%).
As vendas foram fortemente impactadas pelo aumento das importações intercontinentais, antecipando alterações nas tarifas aduaneiras.
Os efeitos combinados de preço e mix representaram um crescimento de 4,0%, refletindo a estratégia do Grupo focada no valor. A marca Michelin reforçou a sua presença em mercados-alvo, e a força de vendas implementou com êxito uma oferta de produto profundamente renovada.
O lucro operacional dos segmentos atingiu 1,5 mil milhões de euros, com uma margem de 11,3% a taxas de câmbio constantes, ainda condicionada pelos volumes reduzidos de produção. Os projetos de ajustamento da capacidade industrial prosseguem conforme o previsto.
O fluxo de caixa livre antes de aquisições foi de -102 milhões de euros, refletindo uma quebra de 18,6% no EBITDA dos segmentos. O Grupo voltou ao padrão sazonal típico, com maior necessidade de capital circulante no primeiro semestre.
Desempenho por segmentos
O segmento de Automóveis de Passageiros, Ligeiros e Motociclos (SR1) registou uma margem operacional de 12,2%. Apesar da queda nas vendas de OE, esta margem foi sustentada pela melhoria no mix de produto: os pneus com jante igual ou superior a 18 polegadas aumentaram 4 pontos percentuais e já representam 68% das vendas da marca. O Grupo está a renovar as gamas MICHELIN Primacy e MICHELIN CrossClimate, e lançou o novo MICHELIN CrossClimate3 Sport, que inaugura um novo segmento de mercado.
No segmento de Camiões (SR2), a margem operacional caiu para 5,5%, penalizada pela subutilização dos custos fixos após a forte quebra das vendas de OE, particularmente na América do Norte, onde o mercado recuou 19%. As soluções para frotas cresceram, e o Grupo acelerou o lançamento de produtos inovadores na Europa e nos EUA.
O segmento de Especialidades (SR3) registou uma margem operacional de 14,5%, com volumes afetados pela contínua fraqueza dos mercados de OE para pneus agrícolas, de construção e de movimentação de materiais. Os mercados de pneus para Aviação e Mineração mantêm-se em crescimento. A área de Soluções em Compósitos Poliméricos (PCS) continua a expandir-se, destacando-se nos tecidos revestidos, filmes técnicos e juntas de alta tecnologia, mantendo uma elevada rentabilidade.
Perspetivas para 2025
Para o conjunto de 2025, a Michelin espera que os mercados de substituição permaneçam estáveis face a 2024, num cenário de elevada incerteza económica, cambial e tarifária. A marca aposta nos seus pilares estratégicos — equipas ágeis e dedicadas, produtos diferenciadores, forte presença regional e solidez financeira — para enfrentar este ambiente volátil.
“Os fundamentos do Grupo são ativos cruciais neste período instável e altamente imprevisível. Eles nos permitem gerenciar nossas operações com a maior precisão possível e nos adaptar o máximo possível à turbulência. Gostaria de agradecer a todas as equipes da Michelin pelo seu comprometimento diário neste contexto. Estamos determinados a fortalecer ainda mais a resiliência do nosso modelo sem abandonar nossas ambições de médio prazo”, afirmou Florent Menegaux, presidente do Grupo Michelin.




