Mercado Pneus: Concorrência asiática muda equilíbrio

O mercado europeu de pneus de substituição atravessou um ano difícil em 2025, marcado pela quebra da procura, aumento das importações asiáticas e pressão económica sobre consumidores e indústria. Segundo a Tyres Europe, praticamente todos os segmentos registaram descidas nas vendas, refletindo um contexto de mobilidade moderada, fraca confiança dos consumidores e transformação acelerada do setor
O mercado europeu de pneus de substituição atravessou um ano particularmente desafiante em 2025. Os dados divulgados pela associação Tyres Europe revelam um cenário marcado pela desaceleração da procura em praticamente todos os segmentos, refletindo a pressão económica que continua a afetar consumidores, operadores logísticos, indústria automóvel e fabricantes de pneus em toda a Europa. Segundo Adam McCarthy, secretário-geral da Tyres Europe, “a procura europeia de pneus de substituição manteve-se fraca ao longo de 2025, com um abrandamento em todos os segmentos-chave”. A combinação entre baixa confiança dos consumidores, crescimento limitado da mobilidade, pressão inflacionista e aumento das importações acabou por criar um contexto particularmente difícil para os fabricantes europeus. O segmento de pneus de consumo, que inclui automóveis de passageiros, SUV e veículos comerciais ligeiros, registou uma queda de 2% em comparação com 2024. Apesar de a mobilidade terrestre europeia ter recuperado praticamente para níveis pré-pandemia, o aumento da quilometragem percorrida não foi suficiente para impulsionar significativamente o mercado de substituição. A procura dos consumidores manteve-se condicionada pela incerteza económica e pela redução do poder de compra em vários países europeus. Ao mesmo tempo, o aumento das importações de pneus provenientes da Ásia intensificou ainda mais a pressão competitiva no mercado.
Pneus de verão foram os mais penalizados
Entre os vários segmentos, os pneus de verão foram os mais penalizados, registando uma quebra de 7% ao longo do ano. Esta descida confirma uma tendência que se vem consolidando na Europa: o crescimento dos pneus para todas as estações. Os pneus all season continuam a ganhar quota de mercado, sobretudo em países da Europa Ocidental, onde os invernos são menos rigorosos e os consumidores procuram soluções mais versáteis e económicas, evitando as trocas sazonais obrigatórias em alguns mercados. Também os pneus de inverno sofreram uma descida de 2% em 2025. Neste caso, o fator climático teve um peso determinante. O inverno europeu foi mais ameno do que em 2024, ano em que a neve intensa e precoce em várias regiões impulsionou fortemente as vendas deste segmento. O setor dos pneus para camiões e autocarros também registou dificuldades. Os volumes recuaram 4% ao longo do ano, refletindo a moderação da atividade de transporte de mercadorias e o abrandamento industrial europeu. A procura neste segmento continua extremamente dependente da atividade económica e da produção industrial. Com a economia europeia a crescer abaixo das expectativas, o transporte rodoviário de mercadorias revelou menor dinamismo, afetando diretamente o mercado de substituição de pneus para veículos pesados. Além disso, tal como aconteceu nos pneus de consumo, o aumento das importações voltou a pressionar os fabricantes europeus. No setor agrícola, o cenário também não foi positivo. Os pneus agrícolas terminaram 2025 com uma quebra de 4%, refletindo a prudência dos agricultores nos investimentos em maquinaria e equipamentos, num contexto de custos elevados e incerteza económica. O mercado de equipamento original também enfrentou dificuldades. A produção de veículos ligeiros na Europa voltou a cair em 2025, afetada pela fraca procura interna, pela pressão das importações e pela redução das exportações. Como consequência, os volumes de pneus de equipamento original no segmento de consumo caíram 3%. Já no segmento de camiões e autocarros, apesar de um início de ano difícil, verificou-se uma recuperação gradual da produção ao longo dos últimos meses de 2025, permitindo um crescimento modesto de 2% nos volumes de pneus de equipamento original.
Apesar das dificuldades comerciais, os indicadores relacionados com a mobilidade mostram sinais de estabilização. A mobilidade terrestre europeia recuperou praticamente para os níveis anteriores à pandemia de Covid-19. Na Europa Ocidental, a mobilidade per capita aproximou-se dos 12.600 passageiros-quilómetro em 2025, regressando à média observada entre 2015 e 2019, embora ainda abaixo do pico registado antes da pandemia. Já a Europa Central continua a apresentar um crescimento estrutural mais forte. O aumento do rendimento médio, o crescimento da propriedade automóvel e a integração económica europeia contribuíram para uma subida consistente da mobilidade nas últimas duas décadas. Ainda assim, os desafios demográficos representam uma preocupação crescente. Tanto a Europa Ocidental como a Europa Central enfrentam perspetivas de declínio populacional, o que poderá limitar o crescimento futuro da procura de mobilidade. No entanto, os especialistas acreditam que o aumento da mobilidade per capita continuará a compensar parcialmente essa tendência, sustentando a procura global nos próximos anos.
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