“A retoma do setor será lenta e progressiva”, diretor ibérico vendas Nokian Tyres

“A retoma do setor será lenta e progressiva”, diretor ibérico vendas Nokian Tyres

A principal preocupação da NOKIAN TYRES no início desta crise, foi a proteção imediata dos seus colaboradores, com o objetivo de ter zero infetados na estrutura, objetivo esse cumprido à risca. Foram reforçados todos os sistemas de comunicação on-line, criadas ferramentas de “chat” internas e houve uma dedicação reforçada do departamento de Recursos Humanos em acompanhar mais de perto todos os colaboradores, para que não se perdesse a motivação.

O que mudou na atividade da Nokian Tyres?
Basicamente foi o aumento do trabalho à distância que, curiosamente, era já um procedimento comum. Existe um projeto piloto na Finlândia onde cada colaborador pode trabalhar em qualquer ponto da empresa, ou mesmo a partir de casa. Quase ninguém tem secretária, ou ponto fixo de trabalho. Todas as ferramentas informáticas de que hoje em dia tanto se fala, nós já as utilizamos há algum tempo. Trabalhar a partir de casa é já uma rotina para todos nós. A título de exemplo, todos os meus colegas do “Customer Service”, dep. Financeiro, Logístico, só para citar alguns, estão todos a trabalhar em suas casas, com total acesso à empresa.

A principal mudança foi a impossibilidade de viajarmos e podermos visitar os nossos clientes.

Que meios utilizam para manter o contacto com os clientes?
Pela impossibilidade de os visitar fisicamente, restam os contactos através de chamadas telefónicas, correio eletrónico, WhatsApp.

Esta foi uma questão bastante discutida logo no início da pandemia. Era necessário manter e reforçar o contacto com os nossos clientes. Sendo uma organização relativamente pequena, todos os nossos clientes sentem-se que fazem parte de uma família. Isto é como ligar todos os dias para os meus amigos ou familiares para preguntar como estão. O mais engraçado é que é recíproco, tanto ligamos nós, como nos ligam eles.

Como estão a apoiar os vossos clientes neste momento difícil que o mercado está a viver?
Este momento tem sido realmente muito difícil para ambas as partes. Reconhecemos a dificuldade existente em toda a Europa tanto nas casas de pneus como nos distribuidores. Efetuamos algumas ações de apoio, como por exemplo o alargar de prazos de pagamento e a suspensão de alguns pedidos.

Que boas práticas estão a ser implementadas pela Nokian Tyres para conseguir manter a atividade em segurança?
Como não temos uma atividade que lida diretamente com o público, não necessitamos de grandes cuidados. Mantemo-nos confinados em casa, não visitamos fisicamente os nossos clientes, não há qualquer interação entre colegas e temos os nossos escritórios e fábricas fechados a visitas externas.

É possível contabilizar já os prejuízos causados pela Covid-19?
Ainda é cedo para avaliar o impacto real nos resultados. Obviamente que temos uma estimativa; será bastante negativo com certeza. Os dados do Europool de Janeiro a Março, comparados com período homólogo, indicam em termos globais uma queda de 4.9% em Portugal e 20.4% em Espanha. Nem quero imaginar quando incluírem Abril. Isto é dramático, claro que o setor vai ser violentamente afetado.  Para contrabalançar um pouco este cenário negativo, o negócio de pneus Industriais, Agrícolas, Florestais e Camião tem-se mantido mais ou menos estável.

Para quando antevê a retoma do setor? E de que forma?
Abrindo alguns sectores da economia já em Maio, começando as pessoas a terem de se deslocar utilizando as suas viaturas, mais cedo ou mais tarde vão necessitar de intervenciona-las, tanto a nível mecânico como pneumático. Temos de ter em conta que durante Março e Abril, muitos proprietários de automóveis tinham serviços agendados, que ficaram por efetuar.  No entanto, não posso deixar de me preocupar com a situação económica de todos os portugueses, que viram os seus rendimentos sofrer um decréscimo considerável, ou porque estão em Lay-Off, ou porque já perderam e/ou vão perder os seus empregos. Isso pode atirar-nos para um cenário similar ao que tivemos há uns anos atrás, onde a manutenção automóvel não era efetuada porque as pessoas não tinham dinheiro. Temos de contar com este problema.

Na sua opinião, o que vai acontecer ao setor dos pneus em Portugal pós Covid-19?
O impacto financeiro desta crise pode ser devastador, principalmente nas casas de pneus. Há algum tempo que digo que o negócio dos pneus está democratizado pelo preço. Quero com isto dizer que grande parte dos profissionais do setor não tem uma margem suficiente, que lhes permita ter uma empresa estável e saudável financeiramente. A busca diária do melhor preço em todos os sites existentes no mercado, para depois poder fazer o melhor preço ao consumidor final e não perder o negócio para o vizinho, fez com que nos últimos anos todos se queixassem que não ganhavam dinheiro no negócio. Com a chegada desta crise e com contas debilitadas, será muito difícil aguentar numa conjuntura como a que se avizinha.  Por outro lado, temo que haja novamente um aumento na venda de pneus usados ou de baixa qualidade, colocando a segurança em causa. Se as pessoas não tiverem dinheiro, vão procurar soluções ajustadas ao seu poder de compra.  Vamos retroceder alguns anos no nosso setor. No entanto, talvez esta crise sirva para destacar os verdadeiros profissionais, aqueles que dignificam a atividade.

Que mensagem deseja transmitir ao setor para o futuro?
Aquilo que mais quero transmitir é que todos os responsáveis ligados ao negócio dos pneus, pensem mais de uma forma empresarial, que olhem para as suas empresas e reestruturem-nas de forma a que sejam mais rentáveis, mais profissionais e orientadas por objetivos concretos. Temos excelentes profissionais no que toca ao serviço em si, mas poucos gestores de negócio. Há produtos e soluções no mercado que ajudam a diferenciar e a fidelizar os clientes, não podemos olhar unicamente para o preço como fator decisor. Esta é uma excelente oportunidade para olharmos para o nosso negócio, identificar de onde veio e onde está, e claro orientá-lo para o futuro.  Aproveito para desejar o maior sucesso a todos os profissionais do setor, esperando que ultrapassem de forma positiva este mau momento, tanto a nível pessoal como profissional.

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João Vieira

Do mesmo Autor: João Vieira

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