Conjuntura condiciona evolução

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O comércio de pneus em Portugal é um setor que tal como todos os outros sofreu, nos últimos dois anos, um forte impacto, com a pandemia e, mais recentemente, com os constrangimentos provocados pela situação entre a Rússia e a Ucrânia que se reflete numa instabilidade no preço e na disponibilidade das matérias-primas.

É muito complicado perspetivarmos o mercado neste momento, numa altura em que o próprio setor automóvel mundial não consegue definir de uma forma unânime qual será o seu caminho. A conjuntura que vivemos atualmente no panorama europeu, certamente impactará de forma generalizada, podendo alterar alguns dos padrões de confiança, no entanto, e depois dos dois últimos anos, aquilo que sabemos é que temos um mercado extremamente resiliente e capaz de se adaptar e fazer face às diferentes adversidades.

O mercado recuperou muito bem após os primeiros impactos sentidos pela pandemia sendo capaz de ultrapassar atualmente alguns dos ratios existentes até 2019. Para além do volume, na generalidade, também a qualidade do mix existente melhorou consideravelmente. Para o mercado português os dados são atualmente muito positivos em termos de sell in. É uma tendência ascendente ainda maior do que em Espanha. A principal razão é que é principalmente um mercado de grossistas e distribuidores exclusivos e os aumentos de preços têm ainda mais impacto. Este ano houve problemas logísticos que levaram os grossistas a fazer encomendas muito grandes em tempo útil, encomendas que chegaram no início do ano, pelo que não se espera que o mercado suba na segunda parte do ano.

Estamos a falar de um aumento de mais de 25% no sell in, mas não tanto no sell out. A tendência ascendente não parece suscetível de se manter ao longo do tempo, porque é praticamente um mercado grossista, que joga com as ações antes do aumento dos preços. Essas encomendas já chegaram e os grossistas irão cobrir parte da procura com o stock que já possuem. No final do primeiro quadrimestre, registou-se um crescimento notável tanto a nível do sell-in como do sell-out, com valores próximos de 20%, em comparação com o ano passado. Esta evolução inclui as compras antecipadas de determinados players que podem ser vistas como uma proteção contra possíveis aumentos de preços. Já o aumento no sell-out, poder-se-á dever ao facto de o mercado se encontrar numa situação de crescimento e retoma após um complicado período fruto da situação causada pela pandemia. O mercado português está condicionado, ao nível do sell-in, por fatores comuns a todo o continente, como o aumento dos custos de produção, o aumento do preço e a falta de disponibilidade.

Os fatores que marcaram o mercado em 2021 transitaram para 2022, designadamente o aumento do custo das matérias-primas, elevado custo do transporte marítimo e restrições no fabrico de pneus. Todos estes fatores foram agravados pela guerra na Ucrânia. Por outro lado, a procura continua forte e o poder de compra dessa procura elevado.

Algumas variáveis como a situação atual relativa à entrega de viaturas novas, o crescimento do parque de frotas e os níveis de turismo já em franca recuperação, são fatores que poderão deixar antever a manutenção do crescimento no mercado da reposição. No entanto, a situação atual da guerra e aumento da inflação e dos preços em geral, poderá causar uma quebra no consumo. Temos que ter em conta também outros fatores como a idade média do parque automóvel (13 anos), a inflação generalizada dos preços e a consequente perda de poder adquisitivo dos portugueses que se traduzirá numa sensibilidade cada vez maior ao fator preço.

As empresas do setor (oficinas e distribuidores) que melhor vão resistir, são as que estejam preparadas para enfrentar estes desafios, que sejam mais flexíveis e não sejam adversas a mudanças. As empresas do setor devem cada vez mais olhar para a sua componente de custos e a sua rentabilidade.

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