Michelin defende testes fiáveis para medir emissões dos pneus

A Michelin apoia a regulamentação Euro 7 da União Europeia para emissões de partículas de desgaste de pneus, mas alerta para a necessidade de métodos de teste confiáveis
A Michelin manifestou o seu apoio à regulamentação Euro 7 da União Europeia, que estabelece pela primeira vez limites para as emissões de partículas de desgaste dos pneus. A empresa assegurou que estará pronta para aplicar esta regulamentação já em 2028 para os seus produtos mais recentes e até 2030 em todas as linhas.
“À medida que a Europa se conscientiza da necessidade de apoiar sua indústria sem desistir de suas ambições ambientais, as decisões sobre o método de teste de pneus Euro 7 ilustram perfeitamente as escolhas que ela enfrenta: ou apoiar a inovação e o rigor em benefício do meio ambiente, ou aceitar compromissos que comprometem o padrão e penalizam as partes interessadas responsáveis”, afirmou Florent Menegaux, presidente da Michelin.
A regulamentação Euro 7, adotada em abril de 2024, avalia as emissões globais de partículas de desgaste de todos os pneus vendidos no mercado europeu. Pneus que ultrapassem os limites definidos não poderão ser comercializados. Anualmente, o transporte rodoviário na Europa gera cerca de 500.000 toneladas de partículas provenientes do desgaste dos pneus, sendo que estas emissões podem variar até quatro vezes entre diferentes modelos.
Garantir a eficácia da Euro 7 depende da fiabilidade do método de medição. Existem atualmente duas abordagens em discussão.
A primeira abordagem – testes reais em estrada – mede as emissões em gramas por quilómetro e por tonelada de carga. É considerada fiável, reprodutível e representativa da utilização real. Desenvolvida e apoiada pela indústria automóvel europeia nos últimos seis anos, em total transparência com as autoridades, foi adotada pela ADAC, reconhecida pelo rigor dos seus testes e pelos resultados consistentes com os dos fabricantes. Este método é, portanto, o pilar mais sólido da regulamentação Euro 7.
A segunda abordagem – “método do tambor” em laboratório – ainda se encontra em desenvolvimento. Baseia-se em parâmetros parcialmente definidos e pouco transparentes, podendo ser manipulada para cumprir os limites regulamentares e não refletir com precisão as emissões reais. Um estudo da ADAC de junho de 2025 concluiu que este método ainda não é suficientemente confiável para implementação imediata.
Foram identificadas discrepâncias significativas entre os dois métodos: em 28% dos casos, os resultados para o mesmo pneu divergiram acentuadamente. Por exemplo, um pneu com um índice de abrasão de 1,42 na estrada seria proibido de ser vendido, enquanto o mesmo pneu poderia ser aceito em laboratório com um resultado de 0,83.
A Michelin alertou que a adoção imediata do método laboratorial traria riscos económicos e ambientais consideráveis. A empresa defendeu a aplicação imediata do método de teste em condições reais, mantendo a investigação para a abordagem laboratorial, que só deverá ser usada como complemento quando atingir maturidade técnica.




